Portal do Vaticano destaca investigação de professor de Genética e Genómica da Universidade de Pádua, Gianni Barcaccia

Cidade do Vaticano, 01 abr 2026 (Ecclesia) – Uma nova investigação científica aos vestígios de ADN presentes no Sudário de Turim identificou a presença de um genoma predominante no Médio Oriente, reforçando a probabilidade de a relíquia ter permanecido na região.
O artigo científico, da autoria do professor de Genética e Genómica da Universidade de Pádua, Gianni Barcaccia, e de outros investigadores, revela a existência de microrganismos adaptados a ambientes de salinidade extremamente elevada, semelhantes às condições do Mar Morto, assinala o portal de notícias do Vaticano.
A investigação confirma a prevalência do haplogrupo H33, comum no Próximo Oriente, detalhando as ligações genéticas das populações que contactaram com o tecido de linho.
“Em particular, a população drusa partilha uma ascendência genética comum com judeus e cipriotas e misturou-se historicamente com outras populações do Levante, incluindo palestinianos e sírios”, pode ler-se.
O estudo em baseia-se no material fornecido pelo falecido professor de Medicina Legal, Pier Luigi Baima Bollone, responsável pela identificação de sangue humano do grupo AB no Sudário durante a década de 1980.
O novo trabalho aprofunda uma publicação de 2015 da mesma equipa na “Nature Scientific Reports”, que sinalizou a contaminação do tecido por ADN proveniente do Próximo Oriente (55,6%), da Índia (38,7%) e da Europa (menos de 5,6%).
A equipa de investigadores associa a presença de ADN indiano à possível utilização de linho importado dessa região para a confeção das vestes do Sumo Sacerdote no Templo de Jerusalém.
O Santo Sudário é um lençol de linho com 4,36 metros de comprimento por 1,10 metros de largura, conservado na Catedral de São João Batista, em Turim, desde 1578, que apresenta a imagem dupla de um homem flagelado e crucificado.
A datação da relíquia permanece um tema de debate, após testes de carbono-14 realizados em 1989 terem situado a origem do tecido entre 1260 e 1390.
Em 2011, a agência italiana ENEA contrariou esta tese, concluindo após cinco anos de trabalho que as características físicas e químicas da imagem no Sudário são impossíveis de obter e reproduzir em laboratório.
Os Papas São João Paulo II, Bento XVI e Francisco visitaram Turim para rezar diante do Sudário, nas últimas décadas.
OC
