Argélia: Viagem do Papa foi importante pela «ideia de mudança de época» que se vive, destacou padre Fernando José Asencio

Frade agostiniano destacou também a importância «para o diálogo religioso», num país onde os cristãos são minoria

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 16 abr 2026 (Ecclesia) – O padre Fernando José Asencio, religioso da Ordem Agostiniana (OSA) em Portugal, explicou a importância da viagem apostólica do Papa Leão XIV à Argélia, a terra natal de Santo Agostinho, quando se vivem “tempos de mudança”.

“Santo Agostinho foi uma pessoa que andou entre duas etapas: A etapa da Antiguidade e da Idade Média; E nós também estamos a viver esta ideia de mudança de época. E eu acho que esta visita é importante por isso”, disse o sacerdote da Ordem de Santo Agostinho, hoje, dia 16 de abril, em entrevista à Agência ECCLESIA.

Leão XIV concluiu a primeira visita de um Papa à Argélia, esta quarta-feira, dia 15, após dois dias de intervenções marcadas pela denúncia da violência, e apelos ao diálogo inter-religioso; desde segunda-feira, a agenda papal procurou reforçar as pontes entre o Cristianismo e o Islão, a deslocação ao país no norte de África, teve um significado pessoal para o pontífice que visitou a antiga Hipona do Império Romano, atual Annaba, para evocar o legado espiritual de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja que viveu entre os séculos IV e V.

“É o lugar onde nasceu Santo Agostinho, e onde ele exerceu o seu labor pastoral. Então é muito importante para nós a nossa presença, sobretudo porque hoje sabemos que é um país muçulmano, na altura era uma terra que pertencia ao Império Romano”, salientou.

O padre Fernando José Asencio recorda que Santo Agostinho tinha “uma frase muito bonita” que dizia – ‘que a verdade não seja minha, nem tua, para que possa ser nossa’ -, e destacou que o Papa, que o “conhece tão bem”, “sabe desta importância da procura da verdade juntos, para além da religião, para além das ideias políticas”.

“A procura da verdade, que é o fundamento para o diálogo entre as pessoas, foi a motivação primeira de Santo Agostinho. Ele viveu uma conversão religiosa, mas, no início, essa conversão foi promovida por um livro filosófico que animava à procura da verdade. Então, vemos neste exemplo isto, que o Papa sempre está a promover o diálogo para a procura da verdade”, acrescentou.

Neste sentido, o frade Agostiniano, a partir das críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Papa Leão XIV, lançadas este domingo, realçou que a OSA se “inspira na comunhão de irmãos”, “um ponto fulcral da ordem é a procura da unidade, da paz, da concórdia, da união de corações”, e é isso que “faz parte da mensagem” do Papa.

O padre Fernando José Asencio acrescentou que considera “o presidente Donald Trump uma pessoa impulsiva”, viu “algo parecido com Zelensky [presidente da Ucrânia] e com Putin [residente da Rússia] – agora é amigo, agora não é amigo” -, enquanto a reação do Papa Leão XIV é de alguém que “tem experiência da providência divina”, nos seus discursos fala disso, “é a reação de alguém que sabe esperar em Deus”.

O atual Papa já tinha visitado “duas vezes” a terra natal do Santo Agostinho, enquanto responsável mundial da OSA, e o padre Fernando José Asencio sublinha que esta viagem apostólica “foi importante para o diálogo religioso”, recordando as palavras de Leão XIV aos jornalistas no avião, a quem “disse uma coisa muito curiosa”: ‘vão ver que este povo ama muito a Santo Agostinho’.

O entrevistado, enquanto seminarista, quando “estava na formação”, esteve com o atual Papa “duas vezes”, o frade Robert Prevost “era o padre-geral da Ordem de Santo Agostinho”, e visitou as comunidades da congregação, e recordou a sua preocupação em consolidar esta presença da Agostiniana na Argélia, “pedido voluntários” para este país no norte de África.

“Na altura eu falava francês, então comuniquei o meu interesse ao meu formador, mas ele disse que era cedo para alguém que ainda estava na formação”, recordou o padre Fernando José Asencio, no Programa ECCLESIA, transmitido na RTP2.

Depois da Argélia, a maior viagem do pontificado de Leão XIV continua nos Camarões, onde aterrou esta quarta-feira, e vai passar ainda por Angola e Guiné-Equatorial, até 23 de abril.

PR/CB/OC

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