Bispo diocesana presidiu à Eucaristia no Recinto de Oração do Santuário, que acolheu peregrinação anual do Movimento da Mensagem de Fátima

Fátima, 20 jul 2026 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, criticou aqueles que na sociedade atual procuram “arrancar o joio” através da exclusão, na Missa a que presidiu no recinto de oração do Santuário de Fátima, este domingo.
“Estão preocupados com preservar o reino dos pseudo justos e desprezam os de fora, construindo muros de betão, de leis, de campos de retenção, construindo a manipulação da verdade e do bom senso”, referiu o responsável católico na homilia divulgada pelo Santuário.
“Fazem até pontes aéreas, mas não são pontes que servem para uma comunicação segura. Levam, pelo contrário, ao repatriamento, que quer dizer ao afastamento, que são a segregação, a exclusão e condenação, a miséria, a escravidão, a morte e a guerra”, desenvolveu.
Na homilia, que partiu da parábola do trigo e do joio, D. José Ornelas lembrou que para Jesus, o reino de Deus “não são pessoas e sociedades perfeitas”.
“Ele veio, precisamente, para um mundo imperfeito, injusto, pecador, violento. Não veio como juiz. Ele diz, eu não vim julgar, mas vim salvar. Como médico e cuidador à imagem do Pai, que é Deus clemente e compassivo, cheio de ternura e de misericórdia”, referiu.

É por isso que, lembra D. José Ornelas, Jesus “convive com os pecadores, assume um corrupto entre os seus discípulos, oferece o seu serviço salvador mesmo aos opressores romanos, cruza as fronteiras daquilo que é politicamente correto, porque correto para Jesus é só o amor e a misericórdia do Pai do Céu”.
“Deus nunca se deixa vencer pelas nossas fraquezas, mas sempre vem ao nosso encontro com uma proposta de caminhos de liberdade, de verdadeira felicidade para a construção de um mundo melhor”, destacou.
Para o bispo de Leiria-Fátima, a verdadeira transformação do mundo não passa pela força nem pela violência, mas pela conversão do coração e da mente.
Segundo D. José Ornelas, trata-se de um processo lento, comparável ao crescimento do trigo ou à ação silenciosa do fermento na massa, que exige paciência, tempo e confiança.
A celebração ficou marcada pela presença de cerca de 1500 mensageiros do Movimento da Mensagem de Fátima que, no fim de semana, realizaram a peregrinação anual ao Santuário.
Ligando o Evangelho do dia à mensagem de Fátima, o bispo recordou que Nossa Senhora escolheu três crianças simples para semear, num contexto de guerra e pandemia, a paz e transformação.

D. José Ornelas realçou a coragem dos pastorinhos perante a incompreensão da família, da Igreja e das autoridades da época e sublinhou o apelo de Maria à oração pelo fim dos conflitos e pelos “pobres pecadores”.
“Rezar significa escutar o coração de Jesus que bate sempre por nós e que não veio para destruir, mas para edificar e plantar. Rezar é fruto da semente da Palavra que transforma o coração e a vida”, indicou.
No final da homilia, o bispo deixou um agradecimento “a todos aqueles que vivem este mistério que se revela em Fátima, o mistério da vida, da misericórdia, da paz” e “da fraternidade”.
“Ao longo de mais de 100 anos, com paciência confiante e ativa, estão a semear a mensagem do Evangelho que brilha em Fátima, pela consolação e esperança que irradiam na Igreja e no mundo”, declarou, apelando a que Maria seja o exemplo, a guia e a senhora da luz, da vida e da esperança.
A Eucaristia foi concelebrada pelo bispo libanês D. Jules Boutros, patriarca de Antioquia dos Sírios, e pelo assistente nacional do Movimento da Mensagem de Fátima, padre Daniel Mendes.
A celebração contou com a participação de um grupo de Braga, outro de Santarém e três grupos provenientes do estrangeiro: um dos Estados Unidos, um de Itália e um terceiro com peregrinos oriundos de diferentes países.
LJ/OC
