José Luís Nunes Martins

O mar e o céu tocam-se no ponto mais distante que alcança o nosso olhar. No entanto, a linha do horizonte não marca o fim do mar; apenas esconde o que existe para lá do que conseguimos alcançar do ponto em que estamos. A linha que parece o fim é, na verdade, o início de tudo quanto ainda não vemos e que é, também ele, quase infinito.
Ao navegar por entre os nossos dias, aprendemos que também na nossa história os horizontes se sucedem e que há sempre um, e é para lá dele que está aquilo que nos chama. Por vezes, preferimos ficar e não arriscar. Outras vezes, fazemo-nos capazes de nos lançar e ir mesmo contra ventos e marés.
A morte não acaba com a vida. Esconde-nos a vida que há para lá dela.
Tal como os azuis do mar e do céu, a vida passa pela morte depurando-se e, sem deixar de ser vida, eleva-se a outra forma de ser, ainda mais bela: de imperfeita a perfeita.
Há quem não acredite na eternidade. Julga que o eu com que pensa e sente é apenas uma ilusão finita. Não é. O que pensa em mim é que sou eu, mais até do que as minhas mãos e a minha cara. Esta voz que é luz não é uma alucinação. Como sabem eles que este eu, que não veem, também deixa de existir com a morte do corpo?
Saibamos que existe um infinito para lá do que conseguimos ver. Mais ainda, o céu nos toca sempre nesse limite que mais não é do que um ponto de encontro a que um dia chegaremos, pelo qual passaremos e, sem deixar de ser quem somos, a partir do qual havemos de ser mais.
Com os pés sempre na lama e com o pensamento para lá das nuvens, também agora, em mim, o mar e o céu se encontram.
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