Deus é frágil?

José Luís Nunes Martins

Foto de Ali Shah Lakhani na Unsplash

As nossas emoções são um defeito ou uma qualidade? Seríamos mais fortes se conseguíssemos viver sem nos deixarmos tocar pelo que acontece à nossa volta?

A fragilidade faz parte da natureza humana. No entanto, é a nossa liberdade que decide se, perante cada adversidade do dia a dia, queremos sucumbir ou procurar salvar-nos.

Quando se cede às tentações do fácil, do imediato ou do cómodo, confundimos a fragilidade com uma fraqueza, porque não nos responsabilizamos pelo mal que acabamos por escolher. Mas, sempre que somos fortes, porque também somos livres para o ser, a fragilidade torna-se a base da nossa bondade.

Será que a fragilidade também faz parte da natureza divina? Sim. Deus é forte, porque é frágil. Perante as nossas quedas e infortúnios, sofre, tal como um pai sofre sempre e de cada vez que os seus filhos caem ou lhe viram as costas. É frágil, mas não por ser fraco. Bem pelo contrário: é capaz de somar às suas dores as que consegue roubar aos filhos.

O amor é uma fraqueza? Não, a maior das nossas fraquezas talvez seja a de não sermos capazes de fazer mais por aqueles que amamos. O amor é a nossa força, mas levá-lo até ao fim depende também muito de nós, das nossas decisões.

Estamos expostos ao mundo. Nada do que nos faz sofrer é estranho à nossa alma. É essa sensibilidade que nos revela o caminho para o céu. Procurar amar os que estão próximos de nós em cada momento.

A fragilidade é uma das marcas mais puras da bondade.

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

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