José Luís Nunes Martins

As nossas emoções são um defeito ou uma qualidade? Seríamos mais fortes se conseguíssemos viver sem nos deixarmos tocar pelo que acontece à nossa volta?
A fragilidade faz parte da natureza humana. No entanto, é a nossa liberdade que decide se, perante cada adversidade do dia a dia, queremos sucumbir ou procurar salvar-nos.
Quando se cede às tentações do fácil, do imediato ou do cómodo, confundimos a fragilidade com uma fraqueza, porque não nos responsabilizamos pelo mal que acabamos por escolher. Mas, sempre que somos fortes, porque também somos livres para o ser, a fragilidade torna-se a base da nossa bondade.
Será que a fragilidade também faz parte da natureza divina? Sim. Deus é forte, porque é frágil. Perante as nossas quedas e infortúnios, sofre, tal como um pai sofre sempre e de cada vez que os seus filhos caem ou lhe viram as costas. É frágil, mas não por ser fraco. Bem pelo contrário: é capaz de somar às suas dores as que consegue roubar aos filhos.
O amor é uma fraqueza? Não, a maior das nossas fraquezas talvez seja a de não sermos capazes de fazer mais por aqueles que amamos. O amor é a nossa força, mas levá-lo até ao fim depende também muito de nós, das nossas decisões.
Estamos expostos ao mundo. Nada do que nos faz sofrer é estranho à nossa alma. É essa sensibilidade que nos revela o caminho para o céu. Procurar amar os que estão próximos de nós em cada momento.
A fragilidade é uma das marcas mais puras da bondade.
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