«Senhor, são poucos os que se salvam?»

«Senhor, são poucos os que se salvam?» No Evangelho deste 21.º domingo do tempo comum, Jesus é confrontado com esta pergunta acerca do número dos que se salvam e sugere que o banquete do Reino é para todos. Não está condicionado a qualquer lógica de sangue, de etnia, de classe, de ideologia política, de estatuto económico: é uma realidade que Deus oferece gratuitamente a todos; basta que se acolha essa oferta de salvação, se adira a Jesus e se aceite entrar pela porta estreita. Não podemos excluir nem marginalizar ninguém.

Na lógica de Jesus, «entrar pela porta estreita» significa tornar-se pequeno, simples, humilde, servidor, capaz de amar os outros até ao extremo e de fazer da vida um dom. Significa seguir Jesus no seu exemplo de amor e de entrega. Quando Tiago e João pretenderam reivindicar lugares privilegiados no Reino, Jesus apressou-Se a dizer-lhes que era necessário primeiro partilhar o destino de Jesus e fazer da vida um dom e um serviço.

Esta porta estreita não é muito popular nos tempos que correm. As perspetivas são bem diferentes das de Jesus. Para muitos dos nossos contemporâneos, a felicidade, a vida plena encontra-se no poder, no êxito, na exposição social, nos cinco minutos de fama que a televisão proporciona, no dinheiro.

Como nos situamos face a isto? As nossas opções vão mais vezes na linha da porta larga do mundo, ou da porta estreita de Jesus?

O acesso ao Reino não é uma conquista definitiva, mas algo que Deus nos oferece e que em cada dia nós aceitamos ou rejeitamos. Ninguém tem automaticamente garantido, por decreto, o acesso ao Reino, de forma que possa, a partir de uma certa altura, ter comportamentos pouco consentâneos com os valores do Reino. O acesso à salvação é algo a que se responde, positiva ou negativamente, todos os dias, nunca é um dado totalmente seguro e adquirido.

Afinal, para nós, assumidamente cristãos, onde está a salvação? Jesus dizia que, no banquete do Reino, muitos apareceriam a dizer: «comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças»; mas receberiam como resposta: «não sei de onde sois; afastai-vos de mim todos os que praticais a iniquidade».

Este aviso toca-nos de forma especial. Há que tomar esta página do Evangelho muito a sério e conformar com ele as nossas vidas, antes que a porta do Reino se feche. Conhecemos bem Jesus, sentamo-nos com Ele à mesa da Eucaristia, escutamos as suas palavras, andamos pela igreja. Mas isso só conta se nos preocuparmos em entrar pela porta estreita da simplicidade e da humildade, do amor e da partilha, do serviço e do dom da vida.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

 

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