Padre Rui Ferreira, atualmente em Moçambique, destaca um projeto que «o ajudou a descobrir uma Igreja jovem, em saída»

Foto: Padre Rui Ferreira, da Sociedade Missionária da Boa Nova, ECCLESIA / LS

Lisboa, 24 ago 2019 (Ecclesia) – As instalações dos Missionários da Consolata em Fátima recebem a partir desta segunda-feira,uma nova edição do curso de Missiologia promovida pelos Institutos Missionários Ad Gentes com o apoio das Obras Missionárias Pontifícias.

Em entrevista ao Programa ECCLESIA, que vai poder escutar este domingo na RTP2, a partir das 6h00, o padre Rui Ferreira recorda a formação que fez em 2008 e as bases que daí retirou para o trabalho pastoral que atualmente está a realizar em Moçambique.

“Eu com este curso descobri uma outra Igreja que não conhecia, uma Igreja jovem, em saída como depois o Papa Francisco viria a chamar a atenção, uma Igreja multicultural, de muitos rostos, ativa mas também contemplativa, que parte da oração para a ação”, salienta o sacerdote da Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN).

Com caráter bianual, o Curso de Missiologia dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) e das Obras Missionárias Pontifícias é aberto a “todos os batizados, clérigos, leigos ou religiosos que, querendo corresponder fielmente à sua vocação, procuram meios formativos em ordem à Missão”, sublinha a organização.

Do programa deste ano fazem parte temáticas como ‘A Missão em Portugal e desde Portugal’, a ‘Espiritualidade Missionária’ e a ‘Missão e Diálogo’.

Quanto ao quadro de oradores, ele é composto por dois bispos, D. António Couto, da Diocese de Lamego, e D. José Cordeiro, da Diocese de Bragança-Miranda.

Destaque também para a participação dos padres Adelino Ascenso, presidente dos IMAG e superior-geral dos Missionários da Boa Nova, e José Nunes, da Ordem dos Pregadores – Dominicanos; e de uma leiga, a professora Teresa Messias, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa.

De acordo com o padre Rui Ferreira, o Curso de Missiologia, que conjuga as componentes “teórica e prática” tem a mais-valia de ajudar os participantes a “entrar” na realidade da Missão, “a conhecer formas de estar” em Igreja, e a “trocar experiências”, uma vez que conta habitualmente com “pessoas de todos os continentes”.

Por outro lado, esta formação tem também um papel muito relevante para consolidar um ideal de Igreja onde todos têm voz e lugar e onde cada um é chamado a participar, aqui com especial relevância para a missão dos leigos.

“Aquilo que nos diz o Concílio Vaticano II é que todo o fiel cristão, todo o batizado, de acordo com as suas possibilidades, com o seu estado, é chamado à Missão, é Missão como diz o Papa, os leigos são fundamentais”, acrescenta o membro da Sociedade Missionária da Boa Nova, que realça a realidade existente em Moçambique.

“Por exemplo a Diocese de Pemba tem vários leigos a trabalhar permanentemente lá, e que fazem parte da missão, tanto como o sacerdote, tanto como a consagrada e o consagrado, e alguns dando vários anos, mesmo sem tempo definido para estar”, contextualiza.

Foto: O padre Rui Ferreira fez a sua consagração missionária em 2016, no Seminário da Boa Nova em Valadares, na Diocese do Porto

Natural de Torres Vedras, no Patriarcado de Lisboa, ordenado a 2 de julho de 2017, o padre Rui Ferreira exerce neste momento a função de reitor e formador no Seminário da Matola, instituição educativa da SMBN aberta em Maputo, na capital moçambicana.

Antes disso, esteve em 2013 ao serviço às populações da Diocese de Pemba, mais para norte naquele país lusófono.

Trata-se de um dos territórios mais ricos do mundo, em termos de reservas de gás natural, mas ao mesmo tempo marcado por muita pobreza e instabilidade social.

“Encontrei um povo pobre materialmente, mas muito rico em alegria, em fé, extremamente acolhedor”, salienta este missionário, que recorda desafios que para a cultura europeia passam muito ao lado, a começar pela “questão da água”.

“Estar numa cidade com cerca de 250 mil pessoas, uma capital provincial, em que a maioria das populações não tem acesso a água potável. São coisas que não nos passam pela cabeça, mas que nós ultrapassamos”, frisa o missionário da Boa Nova, de 36 anos, que lembra também toda a problemática das doenças, que ainda subsiste por resolver.

“Em 2013 quando cheguei a Pemba estava a haver o maior surto de cólera desde os anos 80, todos os dias morriam dezenas de pessoas. Tudo nos desafia a descermos, a nos despojarmos, e depois a sermos capazes de estar com o povo, a fazermo-nos um com o povo”, assinala o sacerdote.

“É uma grande alegria sair e estar com as pessoas a partilhar a mesma fé, e que neste caminho, neste processo, vão acontecendo muitas coisas, muitas maravilhas, muitos pequenos gestos, muitos pequenos grandes milagres”, conta ainda.

Este domingo, no Programa ECCLESIA na Antena 1, a partir das 6h00 da manhã, a conversa com o padre Rui Ferreira, dos Missionários da Boa Nova, gira à volta do curso de missiologia que decorre entre 26 e 31 de agosto em Fátima.

O sacerdote percorre também os primórdios da sua vocação, que o fez deixar para segundo plano a formação em Psicologia Social e das Organizações; e a história da sua ligação a Moçambique, território que brevemente vai ser visitado pelo Papa Francisco.

“É uma bênção para o povo, é uma alegria, e posso testemunhar que já desde maio que na cidade de Maputo há ensaios todos os fins de semana, sábado, domingo e outros dias, para a Missa papal e para outras atividades”, complementa.

JCP

 

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