Somos comunidades de misericórdia?

A liturgia deste segundo domingo da Páscoa, Domingo da Misericórdia, apresenta-nos a comunidade de pessoas que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus, a Igreja, que tem por missão revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição.

No Evangelho sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã.

A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã os critérios que definem a vida cristã autêntica: o verdadeiro crente é aquele que ama Deus, que adere a Jesus Cristo e à proposta de salvação e que vive no amor aos irmãos. Quem vive desta forma, vence o mundo e passa a integrar a família de Deus.

Na primeira leitura, a partir da comunidade cristã de Jerusalém, Lucas dá-nos os traços da comunidade ideal. Fiquemo-nos uns instantes pela fotografia da comunidade apresentada por Lucas nos Atos dos Apóstolos, para ver se ela se revela também em nós e nas nossas comunidades cristãs.

A comunidade cristã é uma multidão que abraça a mesma fé, que adere a Jesus, aos seus valores, à sua proposta de vida. A Igreja é uma comunidade que agrupa pessoas de diferentes raças e culturas, unidas à volta de Jesus e do seu projeto de vida e que de forma diversa procuram incarnar a proposta de Jesus na realidade da sua vida quotidiana.

A comunidade cristã é uma família unida, onde os irmãos têm “um só coração e uma só alma”. Só pode ser uma comunidade de irmãos que vivem no amor, que respeitam a liberdade e a dignidade de todos, potenciando os contributos e as qualidades de todos, nunca um grupo de pessoas isoladas, em que cada um procura defender os seus interesses.

A comunidade cristã é uma comunidade de partilha. No centro dessa comunidade está o Cristo do amor, da partilha, do serviço, do dom da vida, da oblação ao Pai. Uma comunidade onde alguns esbanjam os bens e onde outros não têm o suficiente para viver dignamente não é uma comunidade que testemunha esse mundo novo de amor que Jesus veio propor.

A comunidade cristã é uma comunidade que encontra e testemunha o Senhor ressuscitado. Se conseguirmos criar verdadeiras comunidades fraternas, que vivam no amor e na partilha, que sejam sinais no mundo dessa vida nova que Jesus veio propor, estaremos a anunciar que Jesus está vivo, que está a atuar em nós e que, através de nós, Ele continua a apresentar ao mundo uma proposta de vida verdadeira.

É nos gestos de amor, de partilha, de serviço, de encontro, de proximidade, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo. Só assim seremos pessoas e comunidades acolhedoras e misericordiosas, como tanto nos pede o Papa Francisco, em particular neste Domingo da Misericórdia!

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.pt

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