Afirmou D. Armando Esteves na Celebração da Paixão do Senhor
Angra, Açores, 03 abr 2026 (Ecclesia) – O Bispo de Angra (Ilha Terceira – Açores) disse hoje que nestes três dias que conduzem à Páscoa somos “quase obrigados a fixar o olhar e o coração na hora central da vida de Jesus, que é também a hora central da história da humanidade inteira, a hora central da nossa história”.
“É a hora em que, sofrendo livremente na cruz uma morte cruel, Jesus nos diz duas coisas: em primeiro lugar, diz-nos quem é Deus, o Pai, disposto a seguir o filho até ali, até ao alto da cruz, para demonstrar que Ele é todo e só amor e perdão; em segundo lugar, diz que o segredo da justiça, da paz e da fraternidade é dar a vida”, afirmou D. Armando Esteves na homilia da Paixão do Senhor, que presidiu esta sexta-feira.
É o critério ético “maior daqueles a quem se confia a autoridade e o poder nas decisões que têm a ver com todos”, acrescenta.
É também “a mais radical e definitiva negação de qualquer forma de instrumentalização do nome de Deus para justificar a guerra, a violência, a imposição”, sublinhou o Bispo de Angra.
Na cruz, Cristo entra “na solidão dos inocentes e transforma o desespero em oração”, por isso, quando se ouve “esse clamor”, não se deve ler nele “uma derrota de Deus, mas a descida de Deus ao lugar onde o homem já não sabe explicar nada”.
“A cruz de Jesus não nos autoriza a colocar Deus no banco dos réus e a perguntar diante do sofrimento: “Onde está Deus?”. Ela convida-nos antes a perguntar: onde estamos nós diante do sofrimento, nosso e dos inocentes, e o que fazemos para não acrescentar mais sofrimento e mais morte à morte?”
Na sua homilia, o Bispo de Angra pede para que se reze pela paz e por quem decide.
“Façamo-lo unidos ao clamor dos povos feridos, dos jovens enviados para matar e morrer, das mães e pais que enterram filhos, das crianças mortas e feridas. Mas façamo-lo com a esperança que vem da luz pascal que espreita por detrás das chagas. Mesmo entre ruínas e lágrimas, há sinais de Ressurreição: gestos de proteção, corredores humanitários, voluntários, padres, médicos, famílias que acolhem, comunidades que partilham, pessoas que arriscam a paz, homens e mulheres que escolhem salvar em vez de destruir”.
“A Páscoa não apaga o grito de Sexta-Feira Santa, responde-lhe com vida nova.
A Sexta-Feira Santa termina na esperança do Pai que não abandona o Filho nem nenhum outro filho”, completa D. Armando Esteves.
LFS
