«Lavar os pés é lembrar que Jesus também precisou daqueles a quem lavou os pés» – D. Armando Esteves Domingues

Angra do Heroísmo, Açores, 02 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra lavou os pés a 12 homens em situação de sem abrigo, que são acompanhados pela instituição ‘Novo Rumo’, e afirmou que é preciso aprender a “gramática de Cristo, aproximar, tocar, curar, servir, não julgar”.
“Também aqui e agora, hoje, na nossa catedral, Jesus vai lavar os pés a este grupo de homens, não sou eu. Eles são aqui todos nossos vizinhos, encontramo-los todos os dias pela rua, estão hospedados no Novo Rumo. Aproveito para os saudar a todos, são os meus apóstolos de hoje, foi aos apóstolos que Jesus lavou os pés em primeiro lugar. É Ele, como na Missa, é Jesus que preside”, disse D. Armando Esteves Domingues, na homilia da Missa da Ceia do Senhor, na Sé, enviada também à Agência ECCLESIA.
Aos 12 homens em situação de sem-abrigo, que são acompanhados pela instituição ‘Novo Rumo’ de Angra do Heroísmo, “a quem Ele vai lavar os pés”, o bispo diocesano disse que “a Igreja de Cristo precisa” deles: “da vossa palavra e sugestões, da vossa experiência de vida tantas vezes dolorosa, sofrida, mas também da vossa vontade de vencer os limites que a vida hoje vos traz”.
“Coragem, com os pés novos e coração animado, vamos todos em frente, pertenceis a uma comunidade que vos acolhe e ama. Contamos convosco”, referiu.
“Jesus parece dizer: o meu lugar é com os que precisam de pés lavados, e diz a nós: E o vosso também deve ser. E nós, Igreja, só seremos fiéis se aprendermos esta gramática de Cristo: aproximar-nos, tocar, servir, não julgar.”
Segundo D. Armando Esteves Domingues, na tradição do lavar os pés de irmãos da comunidade, “a Igreja faz uma confissão de fé”: “Deus não tem nojo de nós, Deus não se afasta das nossas quedas, Deus inclina-Se à nossa pobreza. Com um amor que se dobra para lavar os pés, um amor que reparte o pão, que derrama o sangue e não recua perante a cruz”.
“O lava-pés é a explicação do mandamento novo: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Não novo porque nunca se tivesse falado do amor, mas porque ele agora acrescenta aquela frase: “como Eu vos amei”. É um amor que se completa se for recíproco, e exige equilíbrio: dar sem anular, e receber sem se tornar dependente.”

A Missa Vespertina da Ceia do Senhor, que assinala o início da celebração do Tríduo Pascal, faz memória da instituição da Eucaristia, do sacerdócio e do “mandamento do amor” de Jesus, segundo o bispo de Angra, “ainda hoje, três formas de Ele se fazer presente”, nas pessoas e no mundo.
“Esta Catedral hoje é o Cenáculo de que falava o Evangelho. Somos convidados para a mesa com Jesus, e continuar assim o que faz a Igreja, celebrar por todos os tempos, a Páscoa do Senhor. Naquele dia tudo foi preparado, até uma bacia com água para lavar os pés de quem vindo a pé, ou com sandálias, traria os pés sujos e cansados; e lança-lhes um programa: “fazei vós o mesmo”, sede servos!”, desenvolveu.
D. Armando Esteves Domingues indicou que “não era aquela apenas mais uma Páscoa”, o ambiente seria de “grande densidade e emotividade”, e havia ar de despedida, “porque Jesus já sabia que alguém o ia atraiçoar e entregar”; mas havia o desejo “encoberto, talvez, de que Jesus pudesse ficar para sempre com os seus”.
A Sé de Angra vai acolher ainda a celebração da Paixão do Senhor, de Sexta-feira Santa, incluindo a Liturgia da Palavra, a Adoração da Cruz e a Comunhão, começa às 15h00 locais, enquanto a Missa de Páscoa é presidida pelo bispo diocesano, às 11h00.
CB
