Homenagem aos mártires da independência do país evoca história «marcada por períodos de violência» e pede fim da lógica da vingança

Argel, 13 abr 2026 (Ecclesia) –Leão XIV iniciou hoje a primeira visita de um Papa visita à Argélia com uma mensagem em favor da paz e do perdão, evocando a história “dolorosa” do país africano, “marcada por períodos de violência”.
“Recordamos que Deus deseja a paz para todas as nações: uma paz que não é apenas ausência de conflito, mas expressão de justiça e dignidade. E esta paz, que permite enfrentar o futuro com o coração reconciliado, só é possível através do perdão”, disse o pontífice, no ‘Monumento aos Mártires’ (Maqam Echahid), que evoca a luta contra a ocupação colonial francesa.
O Papa foi por cerca de 5000 pessoas no terraço do monumento, onde depositou uma coroa de flores em memória daqueles que lutaram pela independência da Argélia.
“Visitar este monumento é uma homenagem a esta história, e à alma de um povo que lutou pela independência, dignidade e soberania desta nação”, declarou.
Leão XIV, que recordou as suas visitas anteriores ao país como religioso agostiniano, elogiou a hospitalidade argelina e a capacidade da nação em superar períodos de violência com “nobreza de espírito”.
“É sobretudo um irmão que se apresenta diante de vós, feliz por poder renovar, neste encontro, os laços de afeto que aproximam os nossos corações”, referiu, numa intervenção em inglês, traduzida para árabe por um intérprete.
O Papa insistiu que “a verdadeira luta pela libertação só será definitivamente vencida quando se tiver finalmente conquistado a paz dos corações”.
Sei como é difícil perdoar. Todavia, enquanto os conflitos continuam a multiplicar-se em todo o mundo, não se pode acrescentar ressentimento ao ressentimento, de geração em geração.”
Num país em que os católicos são cerca de 0,02% dos mais de 46 milhões de habitantes, Leão XIV destacou a importância da fé para gerar “homens e mulheres de paz”.
“A justiça triunfará sempre sobre a injustiça, e a violência, apesar das aparências, nunca terá a última palavra”, declarou.
O nosso mundo precisa de fiéis assim, de homens e mulheres de fé, sedentos de justiça e unidade. Por isso, perante uma humanidade ansiosa de fraternidade e reconciliação, é um grande dom e um abençoado compromisso declarar com força e ser sempre, juntos, irmãos entre nós e filhos de Deus!”
O Papa sublinhou a necessidade de “respeito mútuo” entre as várias culturas e religiões, desejando que a Argélia possa “com a força das suas raízes e a esperança dos seus jovens, continuar a oferecer um contributo de estabilidade e diálogo na comunidade das nações e nas margens do Mediterrâneo”.
Leão XIV concluiu a sua intervenção citando o Sermão da Montanha e as Bem-aventuranças, pedindo que a fé em Deus continue a sustentar as famílias e a inspirar o sentido de fraternidade no país.
“É um grande dom e um abençoado compromisso declarar com força e ser sempre, juntos, irmãos entre nós e filhos de Deus”, concluiu.
O arcebispo de Argel, cardeal Jean-Paul Vesco, deu as boas-vindas ao pontífice evocando o sonho de uma visita papal e a “ligação profunda” da Igreja Católica ao país africano.
O ‘Memorial dos Mártires’ é um monumento em betão, inaugurado em fevereiro de 1982, por ocasião do 20.º aniversário da independência da Argélia.
Após o encontro no monumento, o Papa seguiu para o Palácio Presidencial, em viatura fechada, para o encontro oficial com as autoridades argelinas.
OC
África: Leão XIV chega à Argélia para iniciar maior viagem do pontificado
