Episcopado da Província Eclesiástica de Juba deseja que «o tão esperado exercício democrático nacional se torne uma fonte de unidade nacional e não de divisão»

Lisboa, 18 jul 2026 (Ecclesia) – Os bispos do Sudão do Sul denunciaram a insegurança generalizada no país e, a meio ano das eleições, apelaram ao diálogo e à responsabilidade política que garanta a “liberdade, segurança e esperança” de todos os cidadãos.
O episcopado do Sudão do Sul assume que, “quer as eleições se realizem ou não”, pode aproximar-se uma “crise de transição e constitucional”, sublinhando a determinação que assumem de promoção da paz.
“Como pastores do povo de Deus, mantemo-nos firmes na nossa missão de promover a paz, a justiça, a reconciliação e a dignidade de cada pessoa humana. Reconhecemos as aspirações do nosso povo a um Sudão do Sul pacífico, democrático e próspero, onde cada cidadão possa viver em liberdade, segurança e esperança”, pode ser-se na declaração dos bispos, no fim da assembleia anual, que decorreu em Juba.
As eleições no Sudão do Sul estão marcadas para o dia 22 de dezembro deste ano, num contexto de insegurança generalizada e de crise económica que afeta toda a população, agravada pelo não cumprimento do acordo de paz de 2018.
A reunião anual dos bispos da Província Eclesiástica de Juba, capital do Sudão do Sul, que terminou esta sexta-feira, dia 17 de julho, em Juba, terminou com um apelo ao diálogo, à reconciliação e ao respeito pela ordem constitucional.
“De boa-fé, pedimos que todas as decisões relativas ao processo eleitoral sejam orientadas pelo diálogo, pela confiança mútua, pela ordem constitucional, pela clareza jurídica, por uma preparação adequada e pelo bem comum, para que o tão esperado exercício democrático nacional se torne uma fonte de unidade nacional e não de divisão”, afirma o episcopado.
Os bispos pedem aos políticos que assumam a implementação do acordo de paz de 2018, promovendo a confiança dos cidadãos, manifestando a solidariedade com o povo, em “dificuldades económicas angustiantes”.
“Manifestamos a nossa solidariedade para convosco, face às dificuldades económicas angustiantes com que nos deparamos diariamente, resultantes da contínua e acentuada desvalorização da moeda local e da escalada vertiginosa dos preços dos bens e serviços nos mercados, uma situação agravada pelo atraso no pagamento dos magros salários dos funcionários públicos”, acrescenta o comunicado.
A seis meses das eleições nacionais, os bispos pedem aos sul-sudaneses que “rejeitem a violência, o ódio, o tribalismo, a desinformação e todas as formas de incitamento”.
“Cultivemos um espírito de fraternidade, respeito e solidariedade, e lembremo-nos de que somos um só povo com um destino comum”, conclui o comunicado, divulgado pela Rádio Tamazuj.
PR
