«Foi com grande tristeza que assumimos novamente de maneira consciente não sairmos à estrada» – João Carlos Leite

Foto: Igreja Açores

Angra do Heroísmo, Açores, 23 nov 2021 (Ecclesia) – A Associação do Movimento de Romeiros de São Miguel, na Diocese de Angra, decidiu que não vão realizar as romarias quaresmais 2022 na rua, por causa da nova vaga da pandemia.

“Foi com grande tristeza que assumimos novamente de maneira consciente não sairmos à estrada; A nossa grande romaria será assumir o não sair considerando a saúde pública, que está em primeiro lugar”, disse o presidente do Movimento de Romeiros de São Miguel, ao portal ‘Igreja Açores’.

A assembleia geral extraordinária da Associação do Movimento de Romeiros de São Miguel, realizada este sábado, em Vila Franca do Campo, teve a participação de 44 dos 53 ranchos.

“A votação foi feita para não sairmos por larga maioria”, salientou João Carlos Leite, explicando que as romarias “implicam uma mobilização muito grande de todos” – ranchos, famílias, acolhedores, população em geral.

“O afeto, expresso no abraço, que nestes dias está tão presente de uma forma tão particular entre irmãos e entre estes e aqueles com quem nos cruzamos, seria desaconselhado. As pernoitas eram difíceis em casas de pessoas; nos salões também não seria fácil, sobretudo com o cuidado de higiene que teria de presidir ao manuseamento de todo o equipamento, desde colchões à comida. São situações de difícil resolução, atendendo à instabilidade da situação pandémica”, exemplificou João Carlos Leite.

A assembleia geral extraordinária teve também em consideração um parecer da Direção Regional de Saúde que condicionava a hipótese da realização das Romarias, por causa do atual momento da pandemia Covid-19, e, segundo este responsável, “não estavam reunidas as condições” para adiarem esta decisão, por causa da logística e a necessidade de garantir toda a proteção aos romeiros e às pessoas que contactam.

“Muita gente diz que a Quaresma não tem sido a mesma porque não acolhem os romeiros. Muita gente considera estas romarias como um serviço, um bem maior do ponto de vista da vivência da sua fé”, acrescentou o presidente do Movimento de Romeiros de São Miguel, referindo que têm a “esperança” de poder realizar “alguns encontros e eventos para tentar superar esta perda que é incalculável”.

As romarias quaresmais de São Miguel, que mobilizam cerca de 2500 homens, celebram 500 anos em 2022 e não vão percorrer as ruas da ilha açoriana pelo terceiro ano consecutivo por causa da pandemia Covid-19: Este ano não se realizaram e, em 2020, as romarias foram suspensas na terceira semana da Quaresma.

O portal informativo da Diocese de Angra destaca que as romarias penitenciais da Quaresma “são uma das realidades mais vivas da tradição da religiosidade popular açoriana”.

Grupos de homens percorrem a pé a maior ilha do arquipélago dos Açores (São Miguel) durante uma semana passando por todos os “templos” de pedra dedicados ao culto mariano, do nascer ao por do sol, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, dormindo e comendo apenas daquilo que a caridade lhes dá, desde o primeiro sábado da Quaresma até Quinta-feira Santa.

Atualmente, existem ranchos de romeiros na ilha Terceira, onde caminham durante cinco dias, na Graciosa, no Canadá e nos Estados Unidos da América; São compostos por homens, mas já existam grupos de mulheres em São Miguel e na Ilha Terceira.

CB

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