Octávio Carmo, Agência ECCLESIA

Ano após ano, a Igreja Católica celebra a Páscoa, uma festa que ainda não foi completamente engolida pela exterioridade – ainda menos agora,  sem as tradicionais celebrações e manifestações que evocam momentos fundamentais do julgamento, morte e ressurreição de Jesus. E é nesta última que se coloca a fronteira, aquela que separa definitivamente os cristãos dos não-cristãos: acreditar na ressurreição.

A Ressurreição de Jesus – não a morte definitiva, a reincarnação ou reanimação de um cadáver – e de cada um.

Como o Papa Francisco já recordou, todo o Evangelho foi escrito à luz desta fé: Jesus ressuscitou, venceu a morte. O mesmo Papa já se mostrou preocupado com a diminuição da fé na vida eterna entre os católicos, o que à partida deveria ser um contrassenso: não há fé cristã sem Ressurreição e é desta convicção fundamental que brota tudo o que pode, verdadeiramente, fazer a diferença na vida de cada um. É a palavra de alegria que cada católica tem para oferecer, com um novo sentido para a vida.

É verdade que exige ir contra a corrente, na maior parte dos casos, e implica projetar no presente uma mudança existencial que parece inconcebível, tão embrenhados que estamos na efemeridade. Eterna, porventura, parece apenas a verdade humana, não a vida, e é por isso que a mensagem pascal é tão decisiva para cada pessoa.

O Papa emérito Bento XVI na sua obra «Jesus de Nazaré», considerava que a Ressurreição era o elemento decisivo para decidir se “a fé cristã fica de pé ou cai”. Sem a nova vida de Cristo, essa fé estaria morta e a própria figura de Jesus seria um falhanço.

Esta nova possibilidade da existência humana interessa todos, unidos pelo destino comum do nascer, viver e morrer. Espanta, por isso, que o anúncio cristão se esqueça tantas vezes desta verdade fundamental da sua fé, embrenhado noutros debates e questiúnculas.

A Ressurreição é um salto ontológico e a palavra definitiva de Deus sobre a morte. Que a Páscoa seja ocasião para voltar a falar do que importa, realmente.

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