Educação: D. Alexandre Palma desafia escolas católicas a passarem de transmissoras de conteúdos a geradoras de esperança

Bispo auxiliar de Lisboa interveio na Conferência da Rede Global de Escolas das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, em Lisboa

Foto: Rede Global de Escolas RSCM

Lisboa, 29 jun 2026 (Ecclesia) – D. Alexandre Palma desafiou na manhã deste domingo, no Colégio Sagrado Coração de Maria, em Lisboa, as escolas católicas a passarem de transmissoras de conteúdos a geradoras de esperança, abordando também a importância de educar para o serviço.

No discurso proferido na Conferência da Rede Global de Escolas das Religiosas do Sagrado Coração de Maria (RSCM), o bispo auxiliar lançou desafios às comunidades educativas, incluindo fazer da relação educativa o primeiro instrumento pedagógico e educar para o discernimento e não apenas para o desempenho.

D. Alexandre Palma incentivou ainda a transformar cada escola “uma verdadeira comunidade de aprendizagem e cuidado” e a fazer a questão “que mapas de esperança estamos a oferecer aos nossos alunos e eles à escola?”.

Num tempo de crise de sentido, o bispo auxiliar de Lisboa considerou que é urgente “educar para o serviço”, porque “a sociedade precisa de gente com sentido de bem comum”.

“Nenhum aluno ou aluna deve sair de uma escola católica sem perceber que existe para servir e que isso é a felicidade”, defendeu, citado pela Rede Global de Escolas RSCM.

A comunicação partiu da pergunta “Para que serve hoje uma escola católica?”, reconhecendo que que se trata de uma questão “tão importante quanto redutora”.

D. Alexandre Palma explicou que os conceitos de escola, escola católica, bem como as circunstâncias do tempo e do espaço, transformam continuamente as necessidades e os desafios educativos.

Ainda assim, o responsável católico afirmou sem hesitação que estes estabelecimentos de ensino precisam “de visionários para o bem do mundo que Deus ama”.

Inspirando-se na Carta Apostólica ‘Desenhando Novos Mapas de Esperança’, que serviu de fio condutor à conferência, o bispo destacou que o documento “é uma inspiração”, porque “não quer comunicar apenas ideias, quer dar ânimo e alma aos agentes educativos”.

A esperança não pode ser reduzida a um lema ou a um slogan, mas constitui “a forma de agir segundo Deus”, disse, acrescentando que é nela que está o fundamento da educação e não no otimismo.

Foto: Rede Global de Escolas RSCM

D. Alexandre Palma enfatizou que “a escola tem de ser sede de sabedoria acumulada pela história, mas nunca um refúgio nostálgico”, que “é preciso liberdade para educar e que o medo é inimigo da liberdade”.

Dirigindo-se às equipas pedagógicas e diretivas dos 19 colégios que integram a Rede Global de Escolas RSCM, o orador recorreu novamente à Carta Apostólica para recordar que “a educação cristã é um trabalho conjunto: ninguém educa sozinho”.

“A comunidade educativa é um nós”, complementou.

O bispo português comparou ainda as escolas católicas aos “astros de uma constelação”, marcada pela diversidade de instituições, histórias e carismas, entre os quais o do Coração de Maria, que se afirmam como “pontes”, “âncoras” e “bússolas” para diferentes tempos e contextos.

Defendendo uma educação integral, D. Alexandre Palma salientou que o conhecimento deve ser responsável e rigoroso, mas também “profundamente humano”, integrando uma “pedagogia do olhar” e a “salvaguarda do coração”.

“Ser Escola Católica” foi o tema da intervenção a que se seguiu uma mesa redonda intitulada “identificados”.

A Conferência da Rede da Rede Global de Escolas das Religiosas do Sagrado Coração de Maria iniciou-se no último sábado e decorre até quinta-feira em torno da educação ordem à transformação global.

LJ/OC

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