Padre Marcelo Oliveira explica papel da Igreja Católica nestes surtos, é a 17.ª epidemia de Ébola neste país de África

Lisboa, 22 mai 2026 (Ecclesia) – O padre Marcelo Oliveira, missionário português na República Democrática do Congo (RDC), alerta que o surto de Ébola atinge sobretudo as “populações pobres”, no leste deste país africano, que vivem num contexto de guerra, “pessoas maltratadas e perseguidas”.
“Infelizmente, trata-se de um vírus que ataca populações pobres, num contexto em que a guerra continua, e onde continuam a existir pessoas maltratadas e perseguidas”, disse o sacerdote dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus, em mensagem ao secretariado português da Fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) enviada à Agência ECCLESIA.
O padre Marcelo Oliveira, com experiência de duas décadas de missão na República Democrática do Congo, contabiliza que é a 17ª epidemia de Ébola registada no país Africano.
“Agora falamos de Ituri; noutras ocasiões falamos de Kivu do Norte e Kivu do Sul, províncias vizinhas onde a realidade é praticamente a mesma, e onde as populações continuam a fugir das milícias que persistem em devastar vidas humanas”, lamentou o missionário que está “numa zona fronteiriça com o Uganda”.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou Emergência de Saúde Pública a Nível Internacional devido a este surto de Ébola, uma nova estirpe do vírus (Bundibugyo) que alastrou a países vizinhos, como o Sudão do Sul e o Uganda, onde o presidente do país, Yoweri Museveni, adiou o Dia dos Mártires, que celebram a 3 de junho – no Santuário de Namugongo, nos arredores de Kampala, onde se assinala o assassinato de 45 cristãos, dos quais 22 católicos, por ordem do Rei do Buganda, entre 1885 e 1886.
“Encontramo-nos numa zona fronteiriça com o Uganda, onde há constantemente movimentos de pessoas, quer para o interior do país, quer para o exterior. Atualmente, as fronteiras foram fechadas, sobretudo a fronteira com o Uganda, e também a fronteira com o Ruanda, uma vez que na cidade de Goma já foram identificados alguns casos”, desenvolveu o sacerdote português.
O missionário Comboniano, natural de Mortágua, Diocese de Coimbra, explicou que o vírus do Ébola se manifesta “através de febre, diarreia, vómitos, e outros sintomas que podem levar à morte”, e observa que para esta “nova variante, uma nova estirpe, não existe vacina nem tratamento específico, o que dificulta o combate à doença”.
“É altamente contagioso e, por isso, exige-se um grande cuidado com o contacto físico e com tudo aquilo que possa contribuir para a contaminação e propagação do vírus”, acrescentou, salientando a gravidade da situação, a OMS informa que o vírus apresenta uma taxa de mortalidade entre 25% e 90%.
Segundo o padre Marcelo Oliveira, a Igreja Católica “preocupa-se em alertar os cristãos” para a necessidade de respeitar estritamente as normas de higiene, “quer nas celebrações, quer na vida quotidiana”, para evitar que “esta situação se transforme numa pandemia capaz de provocar muitas mortes”.
O missionário Comboniano do Coração de Jesus, há vários anos na República Democrática do Congo, adianta que a OMS e o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (ONU), estão no terreno “com medicamentos, equipamentos, e materiais de apoio”, mais precisamente “cinco toneladas de material para ajudar a população”, como aventais, luvas, máscaras e desinfetantes, divulga a AIS.
CB/OC
![]() O vigário-geral da Diocese de Bukavu também denunciou a situação das populações que vivem na região leste da República Democrática do Congo, face à atuação de grupos rebeldes, como o M23, apoiados pelo vizinho Ruanda; as forças do M23, que invadiu a província de Kivu do Norte em 2021, transformou a cidade de Goma no seu quartel-general operacional, em 2024, e as paróquias ainda estão fechadas. “Não nos sentimos isolados, sentimo-nos abandonados”, afirma o padre Floribert Bashimb, lembrando também que a 15 de fevereiro de 2025, o M23 chegou a Bukavu, onde “as pessoas estão a sofrer, porque já não podem extrair minerais e as atividades rurais foram interrompidas devido à insegurança”, e em alguns locais, “especialmente no norte, estão a substituir a população local”. Das 44 paróquias da Diocese de Bukavu, 30 estão a perder paroquianos, os sacerdotes permanecem porque compreendem que “quando as pessoas ouvem os sinos da igreja, sabem que há vida na aldeia”. A República Democrática do Congo é um país prioritário para a Fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, que “financiou 258 projetos”, em 2025, principalmente no domínio da construção/renovação de edifícios religiosos, da formação de seminaristas e da formação contínua de padres e freiras |



