Itália: Papa condena guerras e comércio de armas, em visita a Santuário de Pompeia

«Não podemos resignar-nos às imagens de morte que os noticiários nos apresentam todos os dias» – Leão XIV

Foto: Lusa/EPA

Pompeia, Itália, 08 mai 2026 (Ecclesia) – O Papa reforçou hoje a sua condenação da guerra e do comércio de armas, apelando a um compromisso pela paz dos reesposáveis políticos, nas diversas regiões do mundo.

” As guerras que ainda se travam em muitas regiões do mundo exigem um renovado empenho, não só económico e político, mas também espiritual e religioso. A paz nasce no coração”, disse, na homilia da Missa campal a que presidiu no Santuário de Pompeia, Itália.

A celebração, que assinalou o primeiro aniversário da eleição pontifícia, decorreu na Piazza Bartolo Longo, insistindo na necessidade da oração pela paz.

“Em diversas ocasiões, incluindo recentes, tanto o Papa Francisco como eu pedimos aos fiéis de todo o mundo que rezassem por esta intenção. Não podemos resignar-nos às imagens de morte que os noticiários nos apresentam todos os dias”, declarou Leão XIV.

O Papa citou a carta apostólica ‘Rosarium Virginis Mariae’ (2002), de São João Paulo II, indicando que há “duas intenções que permanecem de premente relevância”.

“A família, que sofre com o enfraquecimento do vínculo matrimonial, e a paz, ameaçada pelas tensões internacionais e por uma economia que prefere o comércio das armas ao respeito pela vida humana”, elencou.

Que o Deus da paz derrame uma transbordante efusão de misericórdia, tocando os corações, acalmando o ressentimento e o ódio fratricida e iluminando aqueles que têm responsabilidades especiais no governo.”

Leão XIV recordou que a sua eleição, a 8 de maio de 2025, aconteceu “precisamente no dia da Súplica à Virgem do Santo Rosário de Pompeia”.

“Por isso, tive de vir aqui, para colocar o meu serviço sob a proteção da Santíssima Virgem”, explicou, provocando um aplauso da multidão.

O Papa evocou o magistério dos seus antecessores, como Leão XIII e São João Paulo II, e a canonização de Bartolo Longo (1841-1926), “apóstolo do Rosário”, a que presidiu em outubro de 2025.

“Deste Santuário, cuja fachada São Bartolo Longo concebeu como um monumento à paz, elevamos hoje a nossa oração com fé”, referiu aos presentes.

“Sobre as ruínas da nossa humanidade, provada pelo pecado e, por isso, sempre propensa a abusos, a opressões e a guerras, chegou o carinho de Deus, o carinho da misericórdia, que assume um rosto humano em Jesus. Maria torna-se, assim, a Mãe da Misericórdia”, disse ainda.

O Papa apresentou a recitação do Rosário como uma ferramenta fundamental, capaz de gerar compromissos concretos de caridade ativa em favor do próximo.

“Irmãs e irmãos, se o Rosário é rezado e, ouso dizer, celebrado dessa maneira, ele é também, por consequência natural, uma fonte de caridade”, sustentou.

A herança espiritual e social de São Bartolo Longo foi evocada como um modelo de proteção aos mais vulneráveis que deve ser imitado nos tempos atuais.

“Nesta cidade mariana, acolheu órfãos e filhos de prisioneiros, demonstrando o poder regenerador do amor. Aqui, ainda hoje, os mais pequenos e vulneráveis são acolhidos e cuidados nas obras do Santuário. O Rosário dirige o nosso olhar para as necessidades do mundo”, apontou o pontífice.

A jornada pastoral na região da Campânia incluiu a veneração dos restos mortais de São Bartolo Longo, reafirmando que a salvação reside na força transformadora da fé.

“Irmãos e irmãs, nenhum poder terreno salvará o mundo, mas somente o poder divino do amor, que Jesus, o Senhor, nos revelou e nos deu. Acreditemos nele, esperemos nele, sigamo-lo”, defendeu Leão XIV, sob as palmas da multidão.

No final da Missa, o Papa uniu-se à Assembleia para recitar a Súplica à Virgem do Santo Rosário de Pompeia.

“Irmãos e irmãs, confiemos na intercessão materna da Santíssima Virgem Maria do Rosário: invoquemo-la pela vida e missão da Igreja e pelo anseio de paz e justiça de todo o mundo”, apelou.

A visita papal acontece 11 anos após a deslocação de Francisco, em março de 2015.

O Santuário italiano foi também visitado por Bento XVI, em 2008, e por São João Paulo II, em 1979 e 2003.

Após o almoço em Pompeia, o Papa voa de helicóptero para Nápoles, onde aterra às 15h15 na Rotonda Diaz, sendo recebido pelo arcebispo local, o cardeal Domenico Battaglia, e pelas autoridades regionais e municipais.

OC

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