Braga: Padre Renato Oliveira defende que cristãos devem distinguir-se por ser um «instrumento de paz» num tempo marcado por guerras

Sacerdote convidou também a partilhar as dores dos mais pobres, no âmbito da Procissão dos Passos em Barcelos

Foto: Diário do Minho

Barcelos, 03 mar 2026 (Ecclesia) – O padre Renato Oliveira, da Diocese de Viana do Castelo, apelou, este domingo, em Barcelos (Braga), aos cristãos para serem instrumentos de paz, olhando à situação global com vários conflitos.

“Nestes tempos tão marcados pelas guerras, pelas injustiças e violências, aquilo que deve distinguir o cristão é a capacidade de ser, de verdade, num mundo marcado por guerras, por ódios, por perseguições, por injustiças, um instrumento de paz”, afirmou o sacerdote, na igreja matriz da paróquia de Santa Maria Maior de Barcelos, informa a Arquidiocese de Braga.

Antes da saída da Procissão dos Passos, o pregador lembrou que quem professa a fé católica deve ser a capacidade de, “no meio do meio do mundo onde reina a violência”, se compadecer e ouvir os irmãos.

“Porque, as crises e guerras que estamos a viver, causam vítimas diretas, mas também muitas vítimas indiretas. Há homens e mulheres ao nosso lado a sofrer por causa da turbulência destes tempos”, salientou.

“O que é que se pede aos cristãos? Que sejamos, de facto, sinais privilegiados da misericórdia de Deus, que não nos tornemos, também nós, vítimas da indiferença que grassa pelo mundo, mas nos sintamos, de verdade, responsáveis pelos irmãos”, desenvolveu o padre Renato Oliveira.

O sacerdote destacou a cruz como “a maior prova de amor de Deus” pela humanidade, indicando que esta “deixou de ser a vergonha da punição e passou a ser o estandarte da salvação”.

Na igreja matriz, o padre Renato Oliveira convidou a “percorrer os Passos de Jesus, não apenas por tradição, não apenas por rotina, ritual ou preceito Quaresmal”.

“Vamos, com devoção, sintonizarmos com os Passos de Jesus e procurar perceber as implicações concretas na nossa vida”, pediu.

O sacerdote exortou a partilhar as dores dos mais pobres, evocando aqueles “que passam por diferentes doenças”, os “casais que passam por tantas dificuldades”, os “jovens que se sentem perdidos num futuro tantas vezes incerto”, os “idosos tantas vezes abandonados, desprezados” e os “migrantes tantas vezes vítimas de diversas formas de exclusão”.

“No fundo, é um convite a que todos, a começar por mim, ainda estamos no início da Quaresma, que neste caminho que nos vai conduzir até à Páscoa, possamos crescer nesta solicitude de ir ao encontro dos irmãos, sempre fazendo esta opção preferencial por aqueles que mais estão a sofrer”, realçou.

Ainda na igreja matriz da Paróquia de Santa Maria Maior, realizaram vários momentos simbólicos como a leitura encenada do Evangelho, com a narração da Paixão e Morte na Cruz, intercalada com músicas interpretadas pela Banda de Musical de Oliveira e o Coral Magistrói de Santiago de Carepeços.

Segundo informa a Arquidiocese de Braga, uma vez mais, as várias confrarias, irmandades e Santa Casa da Misericórdia de Barcelos ajudaram a dar corpo e solenidade à procissão dos Passos de Barcelos., bem como os escuteiros, os bombeiros e os cavalos.

As autoridades civis, nomeadamente o presidente da Câmara Municipal, Mário Constantino, e alguns vereadores acompanharam o acontecimento pelas principais ruas da cidade.

A secular procissão do Senhor dos Passos é uma das tradições religiosas mais emotivas e antigas da Paróquia de Santa Maria Maior e integra-se nas celebrações do tempo quaresmal, recordando o caminho de Jesus até ao calvário, assinala o Diário do Minho.

LJ/OC

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