Ensino/Portugal: «Tempos nas escolas não são fáceis», mas comunidade educativa faz tudo para «manter tranquilidade» – professor Luís Coelho

Docente de EMRC assinalou que «a escola continua a ser o verdadeiro elevador social», para a maioria dos alunos e dos encarregados de educação

Foto: Lusa

Lisboa, 23 jul 2026 (Ecclesia) – O professor Luís Coelho, do Agrupamento de Escolas Matilde Rosa Araújo (São Domingos de Rana), assumiu que os problemas de avaliação dos exames nacionais criaram dificuldades aos alunos e suas famílias, mas sublinha que os membros da comunidade educativa “tudo fazem para manter tranquilidade junto dos alunos”.

“Os tempos que se vivem nas escolas não são fáceis, são tempos de alguma ansiedade para todos os agentes que habitam o espaço escolar, e, de facto, esta instabilidade que se tem vivido nos últimos dias – quando é que são afixadas, são afixadas com algumas notas suspensas que depois são corrigidas, a conta gotas -, pode criar essa perceção como sendo um espaço que já não é da segurança que estávamos habituados”, disse o docente da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), em entrevista à Agência ECCLESIA.

O final deste ano letivo 2025/2026 em Portugal fica marcado pela digitalização dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário para correção pelos professores, após terem sido realizados em papel, mas problemas com a plataforma, com o processo de digitalização, atrasou a publicação dos resultados, por exemplo.

O professor Luís Coelho lembrou “a fixação das notas, que chegaram já fora de horas”, com os professores, secretariados de exames, o pessoal não docente, a garantir que “as escolas continuavam abertas” para as famílias consultarem as classificações dos seus alunos, por isso, é necessário “dar condições para que continuem a sentir-se e a serem valorizados como uma parte importante”.

Segundo o docente de EMRC, “as responsabilidades não estão nas escolas”, que são a primeira linha e também o fim da linha, e a partir da sua experiência, de quem conhece “o trabalho dos secretariados de exames, o rigor e a exigência”, afirma que fazem tudo para que “tudo saia da escola tal como são as indicações do Ministério”, mas a forma como receberam os resultados dos exames “criou instabilidade”.

“As escolas estão lá, os seus profissionais, para, junto dos alunos, procurar manter a calma e ir ajudando as famílias e os alunos a ultrapassar as dificuldades que foram constatadas por estes dias”, observou o professor do Agrupamento de Escolas Matilde Rosa Araújo, em São Domingos de Rana (Cascais).

Luís Coelho, docente há mais de 20 anos, afirma que “a escola continua a ser aquilo que chama o verdadeiro elevador social” para a “grande maioria” dos alunos e dos encarregados de educação, permite entrarem na vida adulta e “aspirar a um futuro e um horizonte melhor”.

O entrevistado assinala que é necessário, depois deste processo, “que as coisas fiquem devidamente esclarecidas”, para que, daqui a um ano, não estejam “outra vez a falar sobre isto”, e os alunos e as suas famílias “continuem a olhar para a escola como este bastião de segurança e de promoção do seu sucesso educativo”.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

“Todos querem o melhor para a educação: Professores, pessoal não docente, todos aqueles que têm responsabilidades neste campo educativo, querem o melhor para a educação. Há pontos de vista muito diferentes e que, muitas vezes, levam a que as decisões que se tomem não sejam do agrado de todos”, acrescentou, no Programa ECCLESIA, transmitido esta quinta-feira, na RTP2.

Para Luís Coelho, o papel do professor de Educação Moral e Religiosa Católica “é estar presente e procurar transmitir, de certa forma, uma calma e uma serenidade” que todos têm de manter, para que este processo “não se torne ainda mais confuso”, porque não têm correção de exames, mas veem “as preocupações”, e ouvem “aquilo que são, de certa forma, as frustrações dos colegas”.

“O professor tem de ser aquele que mantém esta vocação de acreditar que aquilo que faz, que os ensinamentos que transmite, a aprendizagem que promove, vai permitir às nossas crianças e aos nossos jovens transformarem-se e serem agentes de transformação para um mundo melhor”, explicou o entrevistado, sobre a profissão de docente “que é diferente, e tem de ser vivido muito neste espírito de vocação”.

HM/CB/OC

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