Angola: Visita do Papa é uma «ocasião propícia» para curar as «feridas internas», afirma conferência episcopal

CEAST publica nota pastoral e apela à preparação espiritual e ao envolvimento de todos na organização de «grandes encontros» com Leão XIV 

Foto Agência ECCLESIA/PR, Luanda

Luanda, 03 mar 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal de Angola divulgou esta segunda-feira uma nota pastoral sobre a visita do Papa ao país apelando à preparação espiritual e à organização dos encontros com Leão XIV como “ocasião propícia” para curar as “feridas internas”

“Precisamos de nos preparar através da conversão pessoal, transformando esta visita em ocasião propícia para curarmos as nossas feridas internas”, afirma o documento a que a que Agência ECCLESIA teve acesso.

O Papa vai visitar Angola entre os dias 18 e 21 de abril, com encontros em Luanda, Muxima e Saurimo, numa viagem apostólica de Leão XIV que começa na Argélia, entre os dias 13 e 15 de abril, passa pelos Camarões, de 15 a 18, e termina na Guiné Equatorial, nos dias 21, 22 e 23 de abril.

Não podemos acolher o ‘Mensageiro da Paz’ com o coração cheio de ódio, rancores, divisões e contendas. A reconciliação deve começar em cada coração, em cada família e em cada associação cívica, desportiva, profissional ou partidária”.

Os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) afirma também que é necessário estudar “os documentos do Papa Leão XIV” para que as suas palavras em território angolano “não sejam apenas sons passageiros, mas orientações de vida que tudo devem transformar e renovar”.

“Para acolhermos condignamente o Santo Padre, precisamos de nos preparar, sobretudo espiritualmente, através da oração incessante em todas as nossas dioceses, paróquias e centros pastorais, adotando uma prece especial pela saúde do Santo Padre, em todas as celebrações, sobretudo nesta hora em que a humanidade mais precisa da sabedoria divina, e para que a sua mensagem encontre terra fértil no solo angolano”, acrescentam.

Na nota pastoral, os bispos lembram a logística necessária à preparação da visita do Papa e apelam à “generosidade de todos”, afirmando que “nenhuma contribuição é pequena”.

“Desde as crianças da catequese até aos nossos empresários, a todos convidamos a contribuir para o fundo de apoio a esta visita. A Igreja conta com todos para que possamos organizar os grandes encontros com a dignidade correspondente”.

Na nota pastoral “Peregrino da Esperança, Reconciliação e Paz”, os bispos apelam ainda ao voluntariado, referindo que “ser voluntário numa ocasião destas é escrever o seu nome nos anais da história de Angola”.

Os bispos de Angola manifestam uma “alegria indizível” pela visita do Papa lembrando que, na África Subsariana, Angola “foi o primeiro País a acolher o Evangelho e onde aconteceram os primeiros batismos cristãos”, foi o país que “teve o primeiro bispo negro da história, logo no princípio do século XVI”, e “de Angola chegou a Roma, em 1608, o primeiro embaixador da África Subsariana junto da Santa Sé”.

A nota pastoral enquadra a visita do Papa Leão XIV “na sequência da celebração dos 50 anos da independência de Angola e dos 450 anos da fundação da cidade de São Paulo da Assunção de Luanda”.

Os bispos referem-se ao “crescimento do Cristianismo em Angola”, convictos de que presença do Papa encoraja à “promoção da esperança, da reconciliação e da paz para todos”, e apontam para um “futuro melhor” que apela “ao espírito de sinodalidade” como expressão da necessidade de caminhar em conjunto, “na mesma direção e com os mesmos objetivos”.

Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, depois de São Paulo II ter realizado uma visita apostólica ao país, que incluiu uma passagem por São Tomé e Príncipe, entre os dias 4 e 10 de junho de 1992, e depois Bento XVI, de 20 a 23 de março.

PR

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