Guarda: Projeto quer alargar modelo de prevenção na saúde, junto da população idosa

«Tratamos bem quando metemos as pessoas no sistema, mas muitas vezes já é tarde», alerta José Valbom

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Guarda, 23 jul 2026 (Ecclesia) – O projeto ‘GuardAfetos’, lançado a partir do Centro de Dia e Lar de Santa Ana de Azinha, está a apostar na antecipação dos cuidados de saúde domiciliários junto de populações com um envelhecimento que espelha o futuro nacional.

“Daqui a 20, 30 anos, todo o país vai ter uma percentagem de idosos igual à da Guarda, de 30 por cento”, alerta à Agência ECCLESIA José Valbom, médico que exerce funções na Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, onde coordena a Unidade de Saúde Ocupacional.

O profissional diagnostica um erro estrutural de “decalagem” do atual sistema: “Tratamos bem quando metemos as pessoas no sistema, mas muitas vezes já é tarde”.

A estatística demonstra que os portugueses alcançaram uma esperança média de vida idêntica à dos países nórdicos (84 anos), mas passam o triplo do tempo doentes devido à falta de “medicina preventiva” na terceira idade.

“A sociedade está claramente a evoluir, está a envelhecer. E nós não estaremos institucionalizados nem nos lares nem nos hospitais. Por isso temos de ir ao terreno, calçar as sapatilhas, como eu digo, e depois ajustar o melhor possível os recursos que temos”, sustenta o entrevistado.

José Valbom destaca que uma intervenção precoce “faz mais do que prolongar o tempo de vida, prolonga a qualidade de vida”.

O responsável clínico explicou que o “GuardAfetos” visa integrar a ação de IPSS, misericórdias, misericórdias, autarquias e da GNR num modelo centralizado nas carências, para evitar duplicações.

“Ainda somos um país onde aqui é o Ministério da Saúde, aqui é o Ministério da Segurança Social, ali são os autarcas, ali é a GNR, e cada um por si”, denunciou o clínico, rejeitando a fragmentação do serviço.

Foto: Agência ECCLESIA/HM

O profissional da ULS refere que os atuais canais burocráticos obrigam frequentemente a resolver os problemas no terreno “por via do contacto pessoal”, em vez de seguir um protocolo estruturado.

Um estudo académico liderado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) acompanha a ação deste trabalho em rede, que permite identifica, por exemplo, problemas de saúde mental (como a acumulação de lixo) e vulnerabilidades face a burlas.

A validação de um novo documento orientador, a entregar proximamente ao Governo, exige “nova recetividade” estatal e a reestruturação da “medicina comunitária” que o Serviço Nacional de Saúde não pode “desguarnecer”.

O projeto desenvolvido no ‘Lar dos Afetos’ e a celebração do Dia dos Avós e dos Idosos vai estar em destaque no programa 70×7 do próximo domingo, na RTP2.

HM/OC

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