Iniciativa desafia candidatos ao voluntariado missionário a trabalhar em conjunto, após plano de cinco sessões teóricas

Lisboa, 13 jun 2019 (Ecclesia) – A Fundação Fé e Cooperação (FEC) dinamizou uma atividade prática de missão na Casa de Saúde da Idanha, das Irmãs Hospitaleiras, com pessoas que participaram na sua formação de Voluntários Missionários 2019, iniciada em janeiro deste ano.

“Após um percurso de formação, a sessão prática foi missão. Esta experiência fantástica e desafiadora permitiu reforçar todas as aprendizagens adquiridas e fortalecer a segurança de que missão é a entrega desprendida ao outro”, disse Marlene Monteiro à Agência ECCLESIA.

A atividade prática de missão da FEC na Casa de Saúde da Idanha realizou-se entre 6 e 10 deste mês e para a jovem de Santa Maria da Feira, que pertence ao Voluntariado Passionista, a par do acompanhamento aos utentes e adaptação à unidade onde esteve em serviço “foi essencial” a vivência e convívio com o grupo, a gestão de tarefas, o cumprimento de horários, a partilha de experiências e testemunhos.

“Sendo todos estes momentos uma preparação, uma ponte, para aquela que será a vida em comunidade na Missão Ad Gentes”, acrescentou.

Marlene Monteiro vai para Calumbo, na província angolana de Viana, de 24 de julho até dia 6 de setembro, num projeto que envolve o “acompanhamento e dinamização” da Biblioteca “Imbondeiro do Saber”, da Biblioteca da Prisão de Kakila e a realização de sessões de formação.

Partir em Missão é um desejo há muitos anos e chegou o momento de ‘pôr-me a caminho’. Este desejo nasce de uma vontade imensa de dar, de partilhar, de crescer, de evoluir, de aprender”, desenvolveu.

 

Da vivência na Casa de Saúde da Idanha, Juliana e André Matias Alves, respetivamente 28 e 30 anos de idade, destacam a “experiência efetiva de comunidade” e o “sair da zona de conforto”, tanto a nível do trabalho proposto como na “relação interpessoal” com os outros voluntários.

Naturais da Diocese do Porto e casados há um ano, os jovens que vivem em Londres (Inglaterra) viajaram todos os meses para participar nas formações; Pertencem ao Voluntariado Missionário Espiritano – VME e querem ir em missão durante um ano, em princípio a partir do último trimestre de 2019, mas “o destino e as áreas de intervenção ainda estão a ser definidas”.

No nosso caso a proposta missionária faz pleno sentido enquanto casal. Esta  caminhada tem sido uma forma de estreitar a nossa relação a nível espiritual e na vivência conjunta da fé”, disse André que fez parte dos Jovens Sem Fronteiras e, para além de várias semanas missionárias em Portugal, integrou o Projecto Ponte 2011 em Kalandula (Angola).

Por sua vez, Juliana Matias Alves, que não teve ainda qualquer experiência missionária, “sempre teve o desejo” de partir em missão e recorda que, quando era criança, os pais “falavam muito sobre isso, mas nunca surgiu a oportunidade”, até ter conhecido o André quando “estava prestes a partir em Ponte por um mês”.

“Então sonhamos que um dia iríamos fazer juntos e passou a ser um projeto comum”, acrescentou.

A ação prática de missão foi organizada pela FEC numa casa de saúde, em parceria com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, por ter “todos os requisitos” para uma atividade deste género, como o “encontro com o outro”, o “dividir tarefas” com pessoas que à partida não escolheriam para trabalhar e o encontro com o “doente mental, que obriga a encontrar com a própria fragilidade” e a experimentar os mais diversos sentimentos que se vivem no terreno de missão.

À Agência ECCLESIA, a gestora de projetos Catarina António explica que esta sessão foi importante, porque “coloca em prática tudo o que foi sendo ‘ensinado’” ao longo das cinco sessões teóricas, para além de pessoas de grupos diferentes praticarem “a necessidade de colaboração com diferentes atores da missão Ad Gentes”.

Entre janeiro e maio, ao ritmo de um fim-de-semana por mês, a formação anual dedicada ao voluntariado-missionário destacou-se pela variedade de temas e formadores de diversas áreas e experiências missionárias.

A formação é essencial a qualquer pessoa que deseje partir em missão. Não são meros voluntários que partem, são voluntários missionários, católicos, que são enviados por organizações e que acrescentam na bagagem a fé que levam a outros povos. Durante o tempo de formação, vão-se desconstruindo preconceitos, expectativas, frustrações, anseios”, explicou Catarina António, adiantando que, “muitas vezes, alguns percebem que não estão preparados”.

Para a Juliana e o André estas sessões teóricas foram uma “oportunidade” para aprender com pessoas que estiveram no terreno e adaptar as “expectativas à realidade”, como aprofundar “o contexto e a diferença entre voluntariado e voluntariado missionário”.

Já Marlene Monteiro revela que as formações “ajudaram” a sentir uma “maior preparação para ir em missão” e as temáticas abordadas e a partilha de testemunhos “foram essenciais para refletir sobre os medos e dúvidas que possuía”, bem como “desconstruir alguns mitos”.

A Fundação ‘Fé e Cooperação’ dinamiza desde 2002 a Rede de Voluntariado Missionário, atualmente com 61 organizações e, anualmente, há cerca de “15 organizações a participar” nas formações.

CB/OC

2019: Fundação «Fé e Cooperação» começou ciclo de formação com 50 participantes

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