Padre João Santos sublinha «dificuldade» em cativar os mais novos com a proposta do sacerdócio católico

Foto: Diocese de Aveiro

Aveiro, 13 jun 2019 (Ecclesia) – O reitor do Seminário de Santa Joana Princesa de Aveiro afirmou que a vida do sacerdócio “é, regra geral, pouco desejada pelos rapazes”, pelo que a diocese aposta no pré-seminário, “uma resposta estruturada”, como “instrumento de provocação vocacional”.

“Existe uma dificuldade grande de perceber a essência da vida cristã concretizada no sacerdócio, e este é o nosso grande caminho, o de dar a conhecer a resposta vocacional como realidade que dá sentido à vida – seja esta cristã ou não -, e o sacerdócio como missão de resposta a um chamamento e entrega até ao fim como Cristo, Bom Pastor, que tem assume o cuidado pelos cristãos a ele confiados”, disse o padre João Santos à Agência ECCLESIA.

O responsável refere que para muitos “o padre é o homem do ‘religioso’” que preside a uns atos de culto – Eucaristia, funerais, casamentos –, e “é o homem que não se pode casar”.

“Existem rapazes que, por contacto mais próximo com algum padre ou por pertencerem a algum movimento mais ativo, já trazem consigo o vislumbre da beleza do sacerdócio”, acrescentou, destacando que, mesmo assim, “o medo do compromisso e do fracasso são tentações que estão frequentemente presentes”.

No atual ano pastoral 2018/2019, passaram pelos grupos do Pré-Seminário “62 rapazes, entre os 10 e os 18 anos”.

“Este trabalho não envolve apenas as atividades, mas o acompanhamento e visitas às casas das famílias. No final é belo ver que houve crescimento em muitos dos rapazes, algo que se vê na oração que convido cada um a preparar para a Eucaristia de final de ano”, referiu o padre João Santos, assinalando que procuram trabalhar “as dimensões humana e espiritual”.

O reitor do Seminário de Santa Joana Princesa de Aveiro explica que esta é uma oportunidade de “os cristãos conhecerem o seminário, também conhecido como ‘coração da diocese’, de desmitificar muitos preconceitos e perceber como se processa o percurso formativo para o sacerdócio”.

O último encontro do pré-seminário de Aveiro, do atual ano pastoral, foi para alunos do 7.º ano ao Secundário, este sábado e domingo, e o sacerdote explicou que abrem as portas “não só aos rapazes” mas “também às suas famílias e a muitas outras pessoas a eles ligadas”.

Segundo o padre João Santos, o lugar onde a Igreja Diocesana contacta com os jovens é, sobretudo, na catequese paroquial, nos escuteiros (CNE) e nas aulas da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC).

É também a partir dos rapazes e do seu contacto com os colegas que muitos se interessam pelo Pré-Seminário. Recordo mesmo um caso, em que o rapaz, não frequentando a catequese há alguns anos, sendo amigo de um seminarista menor se aproximou do Pré-Seminário, tendo depois ingressado numa catequese paroquial”.

O sacerdote que considera que têm “de trabalhar mais para uma maior eficácia de comunicação”, lembrando que, “no passado”, se considerou a “implementação da figura do animador vocacional” nas paróquias mas, “infelizmente, não se conseguiu”.

O triénio pastoral que a Diocese de Aveiro está a viver prevê para o último ano – 2020/2021 – um ciclo “dedicado às vocações de consagração”, algo que, acrescenta o padre João Santos, esperam que “sirva de motor para uma dinâmica vocacional mais arreigada”.

A 14 de novembro de 2021 a diocese vai celebrar o 70.º aniversário do Seminário de Aveiro e o padre João Santos espera que este “seja sempre, em primeiro lugar”, “uma casa de formação vocacional para rapazes e sinal de vitalidade”.

CB/OC

Entrevista na íntegra

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