Paróquias de Rendufe, Labrujó, e Vila do Monte, no arciprestado de Ponte de Lima, recebem visita do bispo de Viana do Castelo

Foto: Rendufeblogspot.com

Viana do Castelo, 20 abr 2019 (Ecclesia) – As paróquias de Rendufe, Labrujó, e Vila do Monte, no arciprestado de Ponte de Lima, em Viana do Castelo, preparam-se para receber, este domingo e segunda-feira, D. Anacleto Oliveira, bispo da diocese, na visita pascal.

“São três paróquias pobres, muito pobres, de casas simples e humildes, mas as pessoas estão muito entusiasmadas”, explica à Agência ECCLESIA o pároco Jorge Ramos, responsável por estas comunidades de 50, 80 e 120 habitantes respectivamente.

Não é a primeira vez que D. Anacleto Oliveira faz a visita pascal em terras paroquiadas por este sacerdote, responsável por oito comunidades no total.

“Nunca acreditei que ao convidá-lo ele aceitasse. Achei um gesto de grande humildade e vê-se que ele entra na casa de todos, ricos e pobres. O gesto de ir ao encontro das pessoas desmistificou a ideia de que ele está fechado no Paço e só contacta com doutores”, dá conta o pároco partilhando a surpresa com os seus paroquianos.

“Alguns não acreditaram quando lhes disse que seria o bispo que fazer a visita”, explica, enunciando o cuidado que as pessoas têm em preparar a casa para receber o Compasso.

O sinal de que se quer receber a cruz em casa é um tapete de flores feito com camélias e erva-doce à porta, onde vasos com orquídeas anunciam a Primavera e os dias de festa.

Lá dentro coloca-se a melhor toalha em cima da mesa onde doces não faltam, tal como o vinho caseiro ou do Porto para brindar e festejar a Boa Nova.

O padre Jorge Ramos é pronto em dizer que a Páscoa é das festas mais bonitas, “apesar do trabalho que dá aos padres”.

“Toda a gente sai, anda na rua, é uma alegria… só vivendo”, diz entusiasmado.

A visita pascal decorre no domingo e na segunda-feira; no final do dia o pároco, há 15 anos nestas comunidades, organiza o recolhimento das oito cruzes, que andam em visita pascal nas oito paróquias, para em festa encerrar a tradição de beijar a cruz.

“Tenho a alegria de unir as oito paróquias na residência paroquial: as cruzes vão recolhendo, durante mais de duas horas as pessoas cantam o clamor pascal e junta-se muita gente, inclusivamente pessoas de paróquias vizinhas”, recorda.

A recebê-los, “faço questão de pôr dois porcos no espeto, 1500 pães, nove barris de cerveja e vai tudo…”

No final da eucaristia, que encerra o recolhimento, “são atirados 20 quilos de rebuçados”, para alegrar os mais pequenos.

O padre Jorge Ramos dá conta da catequese por detrás das tradições que a população do Minho procura manter.

“A religiosidade popular está muito enraizada no Alto Minho, podemos ir purificando e aproveitando para propor algo mais profundo como as catequeses de adultos e a pouco as pessoas vão aderindo”, dá conta o sacerdote que não tem igrejas vazias.

As tradições, afirma o pároco, “só terminam quando o povo quiser”, pois, é com muita devoção e alegria que os minhotos vivem as celebrações e o significado do tempo pascal.

O programa Ecclesia de domingo de Páscoa, emitido pelas 6h na Antena 1, vai conversar com o padre Jorge Ramos e com D. Anacleto Oliveira.

LFS/LS

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