Vila Real de Santo António: Paróquia algarvia celebrou 250 anos da igreja matriz com desafio de projetarem «juntos o futuro»

D. Manuel Quintas desejou que localidade «continue a ser terra de encontro, de cultura, de trabalho digno e de esperança»

Foto: Samuel Mendonça/Folha Domingo

Vila Real de Santo António, 20 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo do Algarve presidiu à Eucaristia celebrativa dos 250 anos da construção da igreja matriz de Vila Real de Santo António, um “momento raro e luminoso” da “história comum” da cidade e da paróquia, a 13 de maio.

“Neste dia não celebramos apenas pedras, ruas ou datas, celebramos pessoas; celebramos gerações inteiras que aqui viveram, trabalharam, sofreram, amaram e transmitiram a fé; celebramos uma identidade moldada pelo trabalho, pela cultura marítima, pela abertura ao outro, pela confiança em Deus”, disse D. Manuel Quintas, citado, esta terça-feira, dia 19, pelo jornal diocesano ‘Folha do Domingo’.

A Paróquia de Vila Real de Santo António celebrou os 250 anos de construção da igreja matriz, no dia 13 de maio, comemorando a data em que foi abriu ao culto, em 1776, o dia de aniversário de Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal, que a mandou edificar a cidade vilarrealense e este lugar de culto.

“Esta cidade nasceu de um projeto ousado, de uma visão ampla e de grande coragem política. Foi construída com o olhar voltado para o rio, para o mar, para a fronteira, como quem acredita que o futuro nunca se constrói no medo, mas na esperança, na ousadia”, assinalou o bispo do Algarve.

O responsável católico agradeceu os “momentos difíceis” que Vila Real de Santo António viveu, como “crises económicas, tempestades, imigração, solidão, pobreza”, porque nesses momentos “o povo encontrou forças para os superar e recomeçar sempre de novo”.

D. Manuel Quintas convidou a “três atitudes de ordem espiritual” – “evocar o passado com gratidão; viver o presente com compaixão; sonhar o futuro com ousadia e audácia” – porque celebrar 250 anos “não pode ser apenas” recordar o que foram.

Para o bispo diocesano, o futuro de Vila Real de Santo António “não depende apenas das infraestruturas, dos investimentos ou das estatísticas”, mas depende sobretudo da “qualidade moral e espiritual do seu povo, da capacidade de cada geração transmitir valores”, da coragem de permanecerem “profundamente humanos num tempo que tantas vezes se desumaniza”.

“Que Vila Real de Santo António continue a ser terra de encontro, de cultura, de trabalho digno e de esperança” – D. Manuel Quintas

O pároco de Vila Real de Santo António desejou que a celebração dos 250 anos da construção da igreja matriz “seja verdadeiramente um sinal não apenas para lembrar o passado”, mas, sobretudo, para “todos juntos” projetarem o futuro”, e observou que, “hoje, a pluralidade da oferta religiosa” faz com que não sejam “os únicos, nem, em tantos momentos, os maioritários”.

“Continuamos a ser portadores de uma mensagem que quer ser libertadora e construtora do bem comum. Isso desafia-nos e desafia os nossos queridos autarcas; os diversos grupos de catequese e os agrupamentos de escuteiros procuram ser um apoio para as famílias na formação e educação das novas gerações”, salientou o padre Tiago Pereira, para quem a comunidade paroquial é “o lugar mais universal de toda a cidade”.

O programa dos 250 anos da igreja matriz de Vila Real de Santo António incluiu a conferência ‘O Marquês de Pombal e a Igreja Católica’, pelo cardeal D. Manuel Clemente, especialista em História da Igreja, no dia 11 de maio, no Centro Cultural António Aleixo.

Para o patriarca emérito de Lisboa o título correto da conferência seria ‘A Igreja do Marquês de Pombal’, porque “não era a Igreja toda, mas era aquela que prevalecia e prevaleceu enquanto ele esteve no governo”, e presidiu ainda à Eucaristia e à procissão de velas a Nossa Senhora de Fátima, no dia 12, informa o jornal ‘Folha do Domingo’.

A primeira pedra igreja de Nossa Senhora da Encarnação foi lançada a 6 de agosto de 1774, concebida pelo arquiteto Reinaldo Manuel dos Santos a igreja matriz de Vila Real de Santo António converge entre o Barroco tardio e o estilo Pombalino.

CB/OC

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