Vaticano: Leão XIV apela a Igreja «aberta e acolhedora», em reflexão sobre a liturgia

Papa sublinha necessidade de traduzir celebrações na vida quotidiana

Foto Massimo Percossi/EPA/Lusa

Cidade do Vaticano, 20 mai 2026 (Ecclesia) – O Papa pediu hoje, no Vaticano, que a Igreja seja “aberta e acolhedora”, traduzindo em gestos concretos aquilo que as comunidades celebram na liturgia.

“A participação dos fiéis na ação litúrgica é simultaneamente interior e exterior. Isso significa também que ela é chamada a manifestar-se concretamente ao longo de toda a vida quotidiana, numa dinâmica ética e espiritual, de modo que a liturgia celebrada se traduza em vida e exija uma existência fiel, capaz de concretizar o que foi vivido na celebração”, assinalou, na reflexão inicial do novo ciclo de audiências que vai dedicar à Constituição ‘Sacrosanctum Concilium’, o primeiro documento promulgado pelo Concílio Vaticano II.

“Desta forma, a liturgia edifica os que estão na Igreja em templo santo no Senhor e forma uma comunidade aberta e acolhedora para com todos”, referiu Leão XIV, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a audiência pública semanal.

O Papa destacou que, com este documento, os participantes no Vaticano II “pretenderam não só empreender uma reforma dos ritos, mas também conduzir a Igreja a contemplar e a aprofundar aquele vínculo vivo que a constitui e a une: o mistério de Cristo.”

A intervenção sublinhou que todas as vertentes da ação pastoral e social confluem para a celebração litúrgica.

“É verdade que a ação da Igreja não se limita apenas à liturgia; no entanto, todas as suas atividades (a pregação, o serviço aos pobres, o acompanhamento das realidades humanas) convergem para este culminar”, precisou o Papa.

Após a catequese, Leão XIV saudou os vários grupos presentes, recordando a proximidade da solenidade do Pentecostes, que se celebra este domingo, encerrando o tempo litúrgico da Páscoa.

“Peçamos ao Espírito de Deus que desperte as consciências humanas com os seus dons, que as afaste da injustiça, da violência e da guerra e que renove a face da terra”, declarou.

O Papa deixou uma saudação específica aos peregrinos lusófonos: “Unidos na mesma fé, peçamos ao Senhor uma renovada efusão do Espírito Santo sobre a sua Igreja”.

A audiência geral contou ainda com a presença dos participantes do evento promovido pelo Movimento pela Ética no Desporto.

“Agradeço aos jovens atletas que elaboraram uma reflexão inspirada nas suas atividades desportivas. Caros amigos, vocês têm uma missão nobre: preservar a alma do desporto. Lembrem-se de que o verdadeiro objetivo não é a vitória material, mas o respeito pelo adversário, a lealdade no jogo e a inclusão de todos”, sustentou o Papa.

OC

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