D. Amândio Tomás afirma que os mais novos «estão fartos de bens» e têm «cada vez menos afeto»

Vila Real, 25 jul 2018 (Ecclesia) – O bispo de Vila Real afirmou que os jovens estão “materialmente fartos” mas têm falta de “afeto”, na apresentação do próximo ano pastoral dedicado à missão na diocese transmontana.

“Os jovens recebem muitas coisas, estão fartos de bens, mas recebem dos pais e dos adultos cada vez menos afeto, tempo e acompanhamento. Não conhecem os limites, os sacrifícios, as contrariedades; tudo isto faz que não estejam preparados para o futuro, para a esperança”, explicou D. Amândio Tomás, na carta para o ano pastoral 2018/19.

O texto, intitulado ‘Os jovens Discípulos, Enamorados de Cristo e Obreiros da Esperança’, sublinha que a família “é a grande ausente, na educação dos filhos, que não dialogam, com os pais, super-ocupados”.

“Sem a presença e acompanhamentos dos pais, vivem, sem eles, sem lei nem roque, crescendo na incerteza, insegurança, desespero e falta de sentido”, observa.

A família “deve continuar a sua importante missão” de “berço do amor e do relacionamento humano, social e político”, sendo também “o alfobre de vocações” para as diferentes necessidades da sociedade.

Para D. Amândio Tomás, os jovens “não devem viver desenquadrados da sociedade e da família” de que fazem parte, por isso, incentiva a que se promova o diálogo intergeracional e a “íntima relação entre a pastoral vocacional e juvenil” e também a pastoral familiar e social.

Neste contexto, incentiva a que os jovens sejam “ativos, interventivos” e não sejam “indolentes e indiferentes”, só centrados em si, “viradas contra a sociedade”.

O bispo de Vila Real considera necessário “ligar” a pastoral juvenil, universitária e vocacional, “não fazer delas elementos estranhos, mas interdependentes”, de forma a permitir que os jovens sejam “interventores e obreiros da esperança e da sociedade de amanhã”.

Depois de três anos dedicados à “a realidade da família, berço, escola e púlpito de valores e vocações”, o bispo diocesano refere que a Pastoral Familiar deve estar “em estreita união” com a dimensão juvenil, universitária e vocacional.

“São os jovens que é preciso ajudar, prestando-lhes o auxílio do acompanhamento, do discernimento e da integração na família e na sociedade, sejam quais forem os contextos e cenários em que vivem, crescem e operam”, desenvolve sobre “um campo imenso, quase inesgotável”.

No documento, publicado no boletim ‘Igreja Diocesana de Vila Real’, D. Amândio Tomás explica também que “a grande batalha a travar” é a do acompanhamento para um discernimento e integração, afinal a vocação dos jovens “deve ser alimentada, acompanhada para ser aceite e dar frutos”.

A Diocese de Vila Real quer também “levar a sério o Ano Missionário”, entre outubro 2018 e outubro 2019, convocado pelos bispos portugueses.

“Há que comprometer os jovens, na missão e pastoral integrada da diocese”, assinala o bispo diocesano, citando a Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa ‘Todos, Tudo e Sempre em Missão’.

CB/OC

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