Simpósio Internacional «Santa Beatriz da Silva e a Ordem da Imaculada Conceição: História, espiritualidade e expressões culturais» decorre em Fátima

Fátima, 17 out 2026 (Ecclesia) – O historiador José Eduardo Franco assinalou hoje Santa Beatriz da Silva como uma figura da “história da liderança feminina”, portuguesa que “merece ser estudada” pelas marcas que deixou na humanidade.
“É uma fundadora portuguesa que merece ser estudada, até no que eu chamo da história da liderança feminina. Hoje recuperámos esse conhecimento de mulheres extraordinárias que foram extremamente importantes, extremamente dinâmicas e criaram constituições absolutamente marcantes, mas muitas vezes estão esquecidas. Recuperar este conhecimento de Santa Beatriz da Silva é também recuperar o valor de muitas mulheres que deixaram marcas relevantes na história de Portugal e na história da humanidade”, explica à Agência ECCLESIA o presidente das comissões científica e organizadora do simpósio internacional Santa Beatriz da Silva e a Ordem da Imaculada Conceição: História, espiritualidade e expressões culturais’.
O encontro que decorre hoje e amanhã no auditório de São José, na Casa das Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, em Fátima, vai contar com conferências dedicadas, entre outros temas, ao itinerário de Santa Beatriz da Silva de Campo Maior a Toledo, à história da Ordem da Imaculada Conceição em Portugal e na Arquidiocese de Évora, à iconografia de Santa Beatriz, à sua presença na cultura e o impacto da sua canonização em Portugal.
Sendo uma “grande figura da história portuguesa”, o seu tempo “precisa de ser muito aprofundado, conhecido com nova documentação” que os historiadores, participantes no simpósio internacional, vão colocar, apresentando “perspetivas novas, aprofundamentos novos, interpretações novas sobre aquilo que foi a sua ação e o seu legado”, regista o responsável.
O arcebispo de Évora fala numa “mulher tão silenciosa, dos claustros da contemplação” que se tornou na “primeira mulher portuguesa a ser canonizada”.
“Precisamos de modelos de vida, de desafios, de sinais de radicalidade que nos tirem de uma espécie de marasmo em que, muitas vezes, a rotina nos coloca na vida. Aquilo que é o mais importante da nossa vida permanece no silêncio. A razão de ser do nosso trabalho, as motivações que nos levam a uma determinada opção, o esforço, o sacrifício, a abnegação, não trazem, muitas vezes, rótulos, nem trazem marcas evidenciadas e publicitadas, mas permanecem no segredo do coração”, traduz D. Francisco Senra Coelho, que participou na sessão de abertura do simpósio.
José Eduardo Franco recorda que a Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Santa Beatriz da Silva, continua hoje a “atrair muitas vocações jovens”, com “comunidades muito dinâmicas”, mostrando como a vida contemplativa é “um caminho que também realiza a humanidade”.
“A oração é um estado de vida que se propõe ou que procura estabelecer uma ligação à fonte da vida, que é Deus, através da oração e através da oração procurando irrigar a Igreja e a humanidade com essa fonte de vida nova que a contemplação permite.
Celebrar, com a realização do Simpósio, os 100 anos de beatificação e os 50 de canonização de Santa Beatriz da Silva é encontrar desafios de “silêncio, equilíbrio de vida entre o tempo acelerado e o tempo de aprofundamento”.
“A Ordem da Imaculada Conceição, e as suas comunidades, ensina-nos isso: a necessidade da contemplação, de parar, de pensar, de fazer silêncio, para nos revitalizarmos interiormente e podermos viver de forma mais equilibrada e mais feliz”, assinala o historiador.
A Irma Célia Cabecinhas, Superiora-Geral da Congregação das Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, vê na comemoração uma “provocação à santidade,”.
“Santa Beatriz não é a nossa fundadora, mas é uma inspiração à nossa fundadora (Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade). Foi uma mulher contemplativa, de silêncio e nós somos de vida ativa, ainda assim, é uma inspiração para nós. Ela tinha muito sentido da caridade e partilhava-as. É isso que nós queremos viver, já que o Senhor nos chama ao serviço dos pobres e enquanto que as monjas que ela fundou se dedicam à contemplação do Senhor, ao recolhimento, nós contemplamos o Senhor nos pobres e a servi-los”, indicou à Agência ECCLESIA.
D. Senra Coelho afirmou ainda o Simpósio como uma “provocação”.
“Este simpósio é uma convocatória, uma provocação, para que façamos o nosso percurso, a nossa peregrinação interior, desinstalados pela vida de alguém, que nos leva também a ser uma Igreja em saída, uma Igreja missionária”, traduziu.





LJ/LS
Vida Consagrada: Fátima acolhe simpósio internacional dedicado a Santa Beatriz da Silva
