José Eduardo Franco explica que vão perceber «a sua riqueza, fecundidade», e a sua proposta de «espiritualidade para os dias de hoje»

Lisboa, 14 out 2026 (Ecclesia) – O Simpósio Internacional ‘Santa Beatriz da Silva e a Ordem da Imaculada Conceição: História, espiritualidade e expressões culturais’, realiza-se pelo centenário da beatificação e os 50 anos de canonização da religiosa portuguesa, este sábado e domingo, em Fátima.
“Este simpósio é aberto a todos os que querem conhecer esta Ordem Religiosa e perceber realmente a sua riqueza, a sua fecundidade, e também aquilo que é a sua proposta de espiritualidade para os dias de hoje”, disse o presidente das comissões científica e organizadora do simpósio internacional, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O historiador José Eduardo Franco destaca que Santa Beatriz da Silva, nascida por volta do 1437 em Campo Maior (Arquidiocese de Évora), “foi uma mulher extraordinária que fundou uma ordem religiosa bem-sucedida”, no século XV, e que se dispersou para muitos países do mundo.
“Ela foi pioneira como portuguesa a fundar uma primeira ordem contemplativa de iniciativa portuguesa, a Ordem da Imaculada Conceição, e que depois teve uma longa vida, hoje ainda tem mais de 150 mosteiros espalhados por todo o mundo, em Espanha mais de 70, em Portugal três”, acrescentou o professor universitário.
O Simpósio Internacional ‘Santa Beatriz da Silva e a Ordem da Imaculada Conceição: História, espiritualidade e expressões culturais’, vai realizar-se nos dias 17 e 18 de outubro, este sábado e domingo, no auditório de São José, na Casa das Concepcionistas ao Serviço dos Pobres, em Fátima.
Segundo o presidente da comissão científica do simpósio, a espiritualidade também “foi desenvolvida de forma original”, dedicada à contemplação de Jesus Cristo e “também uma relação especial com a cultura mariana e com a espiritualidade da Imaculada Conceição”, que se veio a afirmar na Igreja Católica, “fundada com os contributos de outras espiritualidades”, nomeadamente Dominicanos, da Ordem Cisterciense, pela Via da Regra Beneditina, e Franciscana.
Santa Beatriz alcançou, em 1489, uma primeira aprovação papal para a sua comunidade monástica através da bula ‘Inter Universa’, do Papa Inocêncio VIII, mas só após a sua morte (1492), a Ordem da Imaculada Conceição obteria a bula fundacional ‘Ad Statum Prosperum’, no ano de 1511, com a assinatura do Papa Júlio II.
Em 2026, celebram-se os 100 anos da beatificação de Santa Beatriz da Silva, pelo Papa Pio XI, em 1926, e os 50 anos da sua canonização, proclamada pelo Papa São Paulo VI, em 1976.
Para o historiador José Eduardo Franco estas efemérides são “sempre uma oportunidade para fazer memória” daquilo que foi o processo desta Ordem Contemplativa até à atualidade, mas também olhar para o presente, “fazer o ponto de situação do estado da Ordem e projetar o futuro”.
Este simpósio vai reunir especialistas de várias áreas científicas, nacionais e internacionais, nos dias 17 e 18 de outubro, em Fátima, do campo da Teologia, da História – da arte, política, religiosa -, e vai tentar perceber “como é que surgiu esta Ordem, o próprio percurso da fundadora, a sua formação, o ambiente cultural onde ela viveu e se formou no século XV”.

Santa Beatriz da Silva passou à corte de Castela, em 1447, como dama de honor da infanta Isabel de Portugal, sua parenta, mas retirou‑se da corte para se dedicar a uma vida cristã mais perfeita, e viveu no convento da Ordem de São Domingos em Toledo, durante mais de 30 anos.
“Ao mesmo tempo, também vamos olhar para a história da arte, os reflexos, as expressões artísticas na pintura, na iconografia, relacionada também com a simbólica ligada à Ordem da Imaculada Conceição e também olhar sobre a espiritualidade e sobre a atualidade desta Ordem”, acrescentou o historiador José Eduardo Franco, no Programa ECCLESIA, emitido na RTP2.
Em Portugal, a Ordem da Imaculada Conceição tem três mosteiros e regista “uma renovação muito significativa”, segundo o entrevistado, “tem tido recentemente a adesão de vocações muito jovens”, o que significa que a sua proposta de “caminho de espiritualidade, de realização interior” atrai as jovens de hoje.
“E sabemos que estes mosteiros acabam a ser muito procurados por pessoas comuns, que procuram aconselhamento, procuram também estas monjas, que depois são uma espécie de fonte de inspiração e também de oração para ajudar as pessoas através da sua vida orando, as pessoas nas suas diferentes situações de vida, nos seus diferentes problemas”, acrescentou o presidente das comissões científica e organizadora do simpósio ‘Santa Beatriz da Silva e a Ordem da Imaculada Conceição’.
O Papa Leão XIV proclamou 2026 como Ano Jubilar de Santa Beatriz da Silva, e concedeu a possibilidade de obter a Indulgência Plenária aos fiéis que cumpram as condições estabelecidas pela Igreja Católica – as prescrições habituais e elucidadas pelo Catecismo da Igreja Católica (CIC 1471-1498) -, e peregrinem aos mosteiros das Irmãs Concepcionistas de Clausura Papal.
LS/CB/OC

