Vida Consagrada: Religiosa rejeita visão de clausura como «fuga» e aponta a «ecossistema» que preserva a vida interior

Irmã Maria Albertina sublinha necessidade de responder a «inquietação de vazio» no mundo contemporâneo

Religiosas Clarissas (imagem de arquivo)

Vila das Aves, 26 set 2026 (Ecclesia) – A irmã Maria Albertina, do Mosteiro das Irmãs Clarissas em Vila das Aves, recusa a ideia de que a vida de clausura seja uma fuga do mundo, definindo o isolamento como um “ecossistema que preserva a vida interior”.

“Quem procura uma vida centrada na busca do rosto de Deus tem necessariamente de selecionar os caminhos para lá chegar, prescindindo automaticamente de outros”, explicou a religiosa à Agência ECCLESIA, recorrendo à imagem de um GPS para justificar o abandono definitivo das estradas que distraem o coração.

A vida fraterna foi apresentada como um contraponto a uma sociedade saturada de ecrãs, com a clarissa a alertar para um mundo que “vive em conexão virtual, mas profundamente desconectado das pessoas reais”.

Ao contrário de um grupo de amigos, vincou a consagrada, a comunidade do mosteiro congrega-se unicamente porque cada membro “é chamado por uma mesma pessoa, Jesus Cristo”.

A religiosa sustentou que a maior pregação das monjas se faz através de um “silêncio habitado” pela presença divina, exigindo a vivência de uma “pobreza radical”.

Esta regra, clarificou, não significa miséria, mas traduz a “necessidade de possuir a maior riqueza”, abdicando de tudo o resto.

Sobre os jovens que batem à porta da instituição, a irmã Maria Albertina diagnosticou uma “inquietação de vazio” face às ofertas mundanas e apontou a urgência de as comunidades lhes transmitirem, sem medo, que Cristo “não tira nada, dá tudo”.

Confidenciando ter sentido uma “vocação missionária”, a religiosa assegurou que o seu chamamento se realiza plenamente na clausura ao servir como suporte dos “membros mais frágeis” da Igreja.

Questionada sobre o que faria sorrir São Francisco e Santa Clara de Assis caso visitassem hoje os mosteiros portugueses, a irmã Maria Albertina apontou ao “amor, a adoração e o carinho imenso” colocados no mistério da Eucaristia, assumindo a adoração permanente como a “nota dominante” que pauta o quotidiano das clarissas.

A conversa, por via telefónica, vai estar no centro da emissão do Programa ECCLESIA na Antena 1 da RTP, pelas 06h00 deste domingo, num ciclo de conversas a respeito das 800 anos da morte de São Francisco de Assis e do seu legado na vida da Igreja.

OC

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