França: Papa destaca aumento de batismos de adultos e fala em sinal de esperança

«Fico surpreendido com o número de pessoas que retomam o caminho da fé», admitiu Leão XIV

Foto: Lusa/EPA

Paris, 26 set 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje, em Paris, ao acompanhamento permanente dos novos batizados, sublinhando o número crescente de adultos que procuram os sacramentos numa sociedade francesa “fortemente secularizada”.

“Este fenómeno, que contradiz qualquer atitude derrotista e aquilo que o Papa Francisco chamava de pessimismo estéril, deve ser acolhido com espírito de responsabilidade”, declarou Leão XIV, pedindo às comunidades católicas que reconheçam e guardem “a pequena chama que o Espírito Santo acendeu na escuridão da noite”.

Mais de 21 mil adultos e adolescentes receberam o sacramento do Batismo na Vigília Pascal de 2026, segundo dados divulgados pela Conferência Episcopal Francesa (CEF).

“Tal como vós e juntamente convosco, fico surpreendido com o número de pessoas que retomam o caminho da fé e com a quantidade de adultos que solicitam os sacramentos da iniciação cristã”, indicou o Papa.

O pontífice falava no Instituto Católico de Paris, perante pessoas que se preparam para receber os sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Confirmação e Eucaristia) e recém-batizados,

“O espanto perante o que está a acontecer a muitos dos nossos irmãos e irmãs não deve fechar-nos numa alegre ingenuidade; pelo contrário, devemos comprometer-nos, procurar, questionar e empreender ações pastorais concretas”, observou.

O encontro que contou com vários testemunhos, como o de Jaodie (que escolheu o nome Josué para o Batismo), o qual relatou as suas hesitações num percurso inicialmente solitário, marcado pelo receio de julgamento devido à sua aparência magrebina, sublinhando como a inserção nas atividades paroquiais o ajudou a progredir “com mais confiança e menos timidez”.

Marielle, batizada como adulta em 2025, por influência da filha de 20 anos, e agora delegada na Assembleia Sinodal, questionou o Papa sobre como “evitar o vazio pós-batismal” e superar o receio de assumir responsabilidades apostólicas que parecem “vertiginosas”.

Sophie, que prepara candidatos ao Batismo há dez anos na Diocese de Evry, sublinhou a exigência de respeitar o ritmo do outro: “As pessoas não são os meus catecúmenos, mas discípulos de Cristo”.

A partir das inquietações apresentadas, o Papa recuperou uma expressão do episcopado francês para exigir uma Igreja em “estado de iniciação”.

“Estar em estado de iniciação significa acolher as novas pessoas que procuram Deus, vendo nisso uma oportunidade e uma missão”, explicou o pontífice.

Leão XIV sublinhou que, após o batismo, é necessário integrar plenamente os recém-batizados em espaços familiares, garantindo uma “formação o mais integral possível”, capaz de abranger as dimensões bíblica, teológica e moral.

A liturgia assumiu particular relevo na intervenção, com o pontífice a recusar a ideia de que a celebração dos ritos seja uma realidade “posterior” à catequese.

“Com os seus ritmos, linguagens e ritos, a liturgia faz parte do mesmo caminho de conversão e preparação para os sacramentos”, sustentou.

Perante pessoas marcadas por “experiências dolorosas, situações de solidão e feridas profundas”, pediu um “sábio equilíbrio” que permita escutar cada história e, simultaneamente, encorajar os novos fiéis “a enfrentar os exigentes desafios da fé”.

“Ao olhar para vós, queridos catecúmenos e neófitos, vejo não só o fruto do Espírito que vos pôs neste caminho, mas também uma promessa de fecundidade para a Igreja na França. Sede também vós missionários do Evangelho nesta sociedade”, desafiou Leão XIV, evocando a fecundidade de Santo Agostinho e de figuras francesas como Santa Teresinha do Menino Jesus e São Martinho de Tours.

O Papa chegou ao Instituto Católico após ter visitado uma instituição para pessoas em situação de exclusão social, sendo recebido pelo arcebispo de Paris, D. Laurent Ulrich, e pelo reitor da instituição, padre Emmanuel Petit.

Num momento simbólico, o arcebispo entregou ao Papa o instrumento de trabalho da Assembleia Eclesial Provincial, fruto da consulta a 45 mil fiéis das dioceses parisienses.

O programa do segundo dia da visita a França prossegue esta tarde com uma Missa na Praça da Concórdia em Paris, antes de o pontífice viajar para o Santuário de Lourdes.

OC

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