«Procuramos não desistir», afirma o padre José Tavares Matias, sobre os missionários que andam há 100 anos a «espalhar esperança no meio do povo, e consolação»
Lisboa, 17 jun 2026 (Ecclesia) – Os Missionários da Consolata em Portugal estão a celebrar o centenário da morte do seu fundador, São José Allamano, e das comemorações faz parte uma exposição fotográfica itinerante que apresenta esta “missão de consolação”, atualmente patente em Fátima.
“O objetivo principal é mostrar a missão de consolação que os missionários e missionárias da Consolata, ao longo de todos estes anos, vão fazendo pelo mundo. Espalhando esperança, espalhando presença, consolação, nos lugares onde eles se encontram”, disse o superior da Comunidade da Consolata no Bairro do Zambujal (Amadora), em entrevista à Agência ECCLESIA.
O padre José Tavares Matias, que esteve em missão em Moçambique, por exemplo, recorda que o fundador dos Missionários da Consolata (29 de janeiro de 1901) dizia que o carisma do instituto religioso “é ir ao encontro das pessoas mais desfavorecidas, em primeiro lugar na evangelização, para lugares onde muitas pessoas não querem ir”.
O sacerdote explica que a presença da Comunidade da Consolata no Bairro do Zambujal, no concelho da Amadora, no Patriarcado de Lisboa, “é muito necessária”, estão num terceiro andar, mas a sua vida “é mais no meio do povo, a evangelização”.
“É visitar as pessoas, é estar com elas, é andar no bairro, é quase uma evangelização de ‘olá’, as pessoas vêm-me passar, fazem-me perguntas, e eu tenho a oportunidade também de responder e fazer ali um momento de evangelização àquelas pessoas. A gente sente-se bem porque são comunidades muito acolhedoras quando entram nesta dinâmica do Evangelho, e sentimo-nos bem porque também vê as pessoas a crescer na fé”, desenvolveu.
Segundo o padre José Tavares Matias, a comunidade “não é muito grande”, porque o ambiente onde estão também não é grande, “mas é uma comunidade muito dinâmica, é pluricultural, plurirreligiosa, é muito interessante”.
“O nosso fundador disse sempre que os missionários da Consolata, deveis ter o bem presente no coração, quer dizer, deveis ter uma paixão por Deus, e uma paixão pelo povo, e onde estais, ambiente fácil ou difícil, deveis amar esse ambiente, as pessoas”, acrescentou o missionário da Consolata, que celebrou há pouco tempo 50 anos de ordenação sacerdotal.
São José Allamano nasceu a 21 de janeiro de 1851, em Castelnuovo d’Asti, a atual Castelnuovo Don Bosco – na região do Piemonte, faleceu há 100 anos, no dia 16 de fevereiro de 1926, e o Instituto dos Missionários da Consolata estão a comemorar este centenário.
O superior da Comunidade da Consolata no Bairro do Zambujal recorda que São José Allamano dizia que os religiosos tinham de ser como Maria, que “primeiro foi consolada por Deus e depois é que consola os outros”, por isso, têm de ser missionários “que se deixam primeiro consolar, para depois consolar os outros, devem ser pessoas de uma espiritualidade muito fundada sobre o amor à Eucaristia, o amor à Nossa Senhora”, e “aspirar a ser santos”.
“E ele indicou-nos um caminho de santidade muito interessante, muito simples, dizia que se quiserem ser santos não é preciso fazer milagres, o que é preciso é fazer do ordinário extraordinário. E fazer o bem, e o bem tem de ser bem-feito.
O Instituto Missionário da Consolata em Portugal tem patente a exposição fotográfica, temporária e itinerante, ‘Allamano: 100 anos a Consolar’, no Consolata Museu, em Fátima, até este sábado, 20 de junho, dia da Festa da Nossa Senhora da Consolata, seguindo para a comunidade de Águas Santa (Maia), na Diocese do Porto.
Para o padre José Tavares Matias, esta mostra “é uma ocasião boa” para as pessoas verem o trabalho que os missionários e as missionárias fazem pelo mundo, “andam há 100 anos a espalhar esperança no meio do povo, e consolação, sobretudo consolação”, e procuram “não desistir”.
“O nosso fundador dizia ‘não desistir’, o missionário verdadeiro tem que ter fogo, fogo no coração, quer dizer, o fogo é amar, é fazer o trabalho com entusiasmo, com alegria, com doação, e estar contente no lugar onde está, fazer o melhor que pode, porque este é um testemunho também muito bom para as pessoas”, acrescentou, no Programa ECCLESIA, transmitido esta quarta-feira, na RTP2.
HM/CB/OC
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O Papa Francisco no Dia Mundial das Missões 2024, a 20 de outubro, presidiu à proclamação de 14 santos da Igreja Católica, incluindo do sacerdote italiano José Allamano, que tinha sido beatificado por João Paulo II, a 7 de outubro de 1990. José Allamano entrou para o Oratório dos Salesianos, a convite de São João Bosco, mas, saiu e foi para o Seminário diocesano de Turim, e fundou o Instituto Missionário da Consolata em 1901, os primeiros missionários foram para o Quénia, chegaram em junho de 1902; em 1910, foram fundadas as Irmãs Missionárias da Consolata”; em 1925, chegaram a Moçambique, e nos anos 40 e 50, do século XX, foram para a América Latina; o instituto religioso que chegou a Portugal em 1943, começou a sua presença no extremo Oriente, na Coreia do Sul, em 1988. A exposição ‘Allamano: 100 anos a Consolar’, no centenário da morte de São José Allamano, é composta por 26 fotografias, uma alusão direta a este período de 1926 e 2026, onde se pode ver, por exemplo, a primeira missão no Quénia, “construída com materiais como terra, capim e bambu”, ou uma ponte erguida pelos missionários sobre o rio Mandimba, no Niassa, em Moçambique. |

