Pandemia da Covid-19 relembrou o contexto da fundação em 1871, aproximou as irmãs com desafio de «interioridade espiritual» e vivência dos valores da hospitalidade

Foto: Irmã Shirley Ninfa Fernandes, Superiora-geral CONFHIC

Lisboa, 02 mai 2021 (Ecclesia) – A congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC) celebra no dia 3 de maio, 150 anos de fundação, num contexto “não muito diferente” do original e com apelos ao desprendimento perante estruturas e respostas convencionais.

“Estamos numa altura em que devemos estar muito atentas ao que se passa no mundo. Nada é certo ou definitivo. Com esta pandemia há tantas incertezas. Precisamos ser pessoas de mente aberta”, explica à Agência ECCLESIA a Superiora-geral da CONFHIC, a irmã Shirley Ninfa Fernandes.

O dia de aniversário é a 3 de maio mas a celebração foi antecipada para hoje permitindo que todas as Fraternidades possam estar juntas num momento celebrativo organizado por mais de mil religiosas espalhadas por quatro continentes.

A responsável, eleita no Capítulo-geral em 2019, destaca a atualidade do carisma, fundado em 1871 pela Madre Maria Clara e pelo padre Raimundo Beirão: “O carisma de hospitalidade é muito bonito porque nos diz que tudo é possível, em todos os lugares. Não estamos presos a fazer determinadas coisas, mas a hospitalidade leva-nos ao serviço dos outros”.

É este carisma que leva as Irmãs a trabalhar na Índia com pessoas não crentes, onde “mais do que o Evangelho” é necessário “levar valores”; em Moçambique onde têm sempre uma sopa a oferecer a quem necessita; em Portugal apostando nas gerações mais novas, junto de crianças e jovens em Colégios; no empoderamento de mulheres africanas ou ajudando migrantes na fronteira entre o México e os Estados Unidos da América.

A celebração dos 150 anos da CONFHIC, que tem a sua casa mãe em Portugal, acontece em tempo de pandemia o que obrigou ao cancelamento de muitas atividades, mas a irmã Shirley Fernandes evidencia a oportunidade de celebrarem num contexto semelhante ao original.

“É muito oportuno celebrarmos agora porque a pandemia criou uma situação muito incerta. Em 1871, em Portugal e noutros locais, a situação era semelhante. Somos muito afortunadas por viver o carisma da Madre Maria Clara e do padre Raimundo Beirão no mesmo contexto de doença e de pessoas que precisam de ajuda. Eles fundaram uma congregação para ajudar pessoas que precisavam. 150 anos depois estamos no mesmo contexto”, explica.

Imagem: Mapa CONFHIC no mundo

A responsável assinala que o contexto de isolamento e distanciamento físico provocado pela Covid-19, serviu, na Congregação, para uma maior aproximação entre mais de mil religiosas.

“As irmãs acabaram por se conhecer mais por causa do isolamento e confinamento. (A pandemia) acabou por criar uma unidade entre todas no mundo. Podemos não nos conhecer nem nunca encontrar pessoalmente mas há a noção que, em determinado local do mundo, uma irmã reza por mim e nos ajudamos mutuamente através das orações”, sublinha.

O governo-geral da CONFHIC, eleito em 2019, é composto pela Superiora Geral, a irmã Shirley Ninfa Fernandes, a irmã Glória de Jesus Domingues, como assistente geral, e tem como conselheiras gerais a irmã Jennifer Josephine Greig, natural da Índia, a irmã Palmira Fernanda Nguetsa, de Moçambique, e a irmã Valdinez Gomes de Novais, natural do Brasil.

Até 2026 a superiora geral tem como objetivo encontrar-se “pessoalmente” com cada uma das irmãs da CONFHIC, “escutá-las e conhecê-las”, valorizando o que cada uma deu e pode continuar a dar à congregação.

“Estamos a reviver o espírito original, como ser hospitaleiro 150 anos depois. Não temos de pregar a espiritualidade mas de a viver. Se uma pessoa for madura espiritualmente e o viver, não precisa de palavras. Os gestos e a forma de viver serão o suficiente para converter as pessoas”, destaca.

LS

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