Missionárias Servas do Espírito Santo mantêm presença em Portugal com comunidade de cinco religiosas a acompanhar os imigrantes e prestar serviço social e espiritual

Lisboa, 08 mai 2026 (Ecclesia) – A irmã Maria da Costa Mendes Xavier, Missionária Serva do Espírito Santo, é assistente social no Centro Social Paroquial de São Nicolau, em Lisboa, e explica que o carisma da congregação se concretiza na atenção aos pobres.
“Em São Nicolau não é a congregação que importa. Tantas vezes sou chamada de irmã de São Nicolau. Mantemos vivo o carisma da congregação que se adapta ao ritmo dos acontecimentos, ao contexto social. O mundo e a sociedade estão em mudança, em transformação. Temos que manter as raízes, mas adaptar-nos para as mudanças como Missionárias Servas do Espírito Santo”, explica à Agência ECCLESIA.
A irmã Maria da Costa Mendes de Sousa Xavier, responsável da congregação em Portugal, começou a trabalhar no Centro Social e Paroquial de São Nicolau em 2017, dada a sua formação em serviço social, e as religiosas dividem-se entre o trabalho de assistência social e pastoral no bairro onde residem e na paróquia da Ramada.

O Centro Social Paroquial de São Nicolau procura acompanhar pessoas sós, disponibiliza serviço de Banco Alimentar Contra a Fome, distribui roupa, presta apoio financeiro mensal a 10 famílias que atravessam dificuldades e carência, mas é também um local de porta aberta para acolher diversas necessidades e prestar assistência espiritual.
“São os trabalhos mais simples, na sua maioria é um trabalho silencioso mas estamos abertas para os sinais. Os sinais acontecem aqui, que nós temos a resposta imediata”, sublinha.
A presença e o trabalho da Congregação faz-se também sentir em propostas pastorais e de oração que formulam: “Todos os domingos, abrimos a nossa casa para silêncio e adoração com o Santíssimo exposto; na paróquia da Ramada, todas as segundas-feiras, temos oração contemplativa; organizamos retiros da Quaresma e de Advento; fazemos peregrinações; acompanhamos grupos de Pastoral juvenil, juntamente com os irmãos do Verbo Divino, acompanhamos propostas de pastoral vocacional”.
Natural de Timor, a irmã Maria Mendes está em Portugal há 25 anos – um dos países que após a entrada na congregação afirma ter escolhido como destino.
“Cheguei dia 30 de dezembro de 2001, e na altura havia uma comunidade em Viseu, que fechou entretanto. Éramos quatro irmãs a viver no bairro Casal da Cambra, em Sintra – uma da Espanha, uma da Áustria, uma do Brasil, eu de Timor-Leste”, recorda.
Em Portugal desde 1989, as Missionárias Servas do Espírito Santo mantêm hoje presença em 50 países, nos cinco continentes; atualmente a comunidade, em Portugal, é composta por seis religiosas de cinco nacionalidades – duas de Timor-Leste, uma da China, uma da Índia, uma da Argentina, uma da Espanha.

Dada a diversidade linguística da comunidade, as irmãs acompanham diferentes pessoas imigrantes que procuram em Portugal um projeto de vida.
“Por exemplo, a irmã chinesa acompanha e encaminha pessoas que chegam a Portugal, a irmã indiana faz o mesmo. Às vezes precisam de documentação, procuram trabalho, precisam formação na língua portuguesa. Encaminhamos também para outras instituições – o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), o Centro Padre Alves Correia (CEPAC), dos Espiritanos, para o Centro de Emprego, para a Junta de Freguesia ou a Santa Casa da Misericórdia que tem uma ligação forte aqui com o Centro”, explica.
“O objetivo é acompanhar as pessoas pessoalmente, para não se sentirem sozinhas. Alguém está ali para acompanhar, para encaminhar, e também para sentir que esta pessoa que vem ao nosso encontro tem sentir que é acolhida e dignificada”, acrescenta.
A religiosa explica que quem ali chega “não pode sair de mãos vazias” e o acompanhamento é rigoroso para que possam encontrar caminhos válidos para a pessoa.
“Temos que escutar, escutar muito”, valoriza.
Depois de um dia de trabalho, a religiosa regressa à sua comunidade e lembra encontrar no discernimento o “motor da vida”.
“Qual é a maior necessidade neste momento, a cada momento? Jesus fazia a ponte entre Pai e o mundo: à noite, subia a montanha para rezar; durante o dia descia à cidade para viver com os pobres, para acolher, para perdoar, para aproximar, para apoiar. Esta é a missão que devemos fazer”, indica.
A conversa com a irmã Maria Mendes vai ser emitida no programa ECCLESIA, sábado, na Antena 1, pelas 6h.
LS
