D. João Lavrador vai escrever carta, com pedido de desculpas, às comunidades paroquiais servidas pelo padre André Filipe da Costa Gonçalves

Viana do Castelo, 23 jan 2023 (Ecclesia) – A Diocese de Viana do Castelo recebeu uma denúncia de abusos sexuais de menores praticados pelo padre André Filipe da Costa Gonçalves que “confirmou os factos” e decidiu afastar-se “do exercício das suas funções”.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a Diocese de Viana do Castelo afirma que, após ter recebido, comunicou a denúncia “às autoridades civis e canónicas competentes”.

“Confrontando com os indícios apresentados, o Pe. André Filipe da Costa Gonçalves confirmou os factos de que é acusado e comunicou a sua decisão de se afastar do exercício das suas funções”, indica o documento.

A Diocese de Viana do Castelo acrescenta que, “tendo em vista as normas do direito canónico, o mesmo sacerdote se encontra proibido de exercer publicamente o ministério”.

“A Diocese partilha do profundo sofrimento da vítima e família, sendo com enorme sentimento de vergonha que torna públicos estes factos, desejando, também, exprimir o maior afeto e cuidado às comunidades paroquiais até agora confiadas ao Pe. André Gonçalves”, afirma.

No comunicado, a Diocese de Viana do Castelo sublinha que quer ser um “ambiente seguro” e um contexto onde se pode “dar voz ao silêncio”, referindo-se a um momento  “especialmente doloroso”.

“Nesta circunstância particular, a Diocese de Viana do Castelo quer reforçar o desejo de ser um ambiente seguro e um espaço onde se possa dar voz ao silêncio, pedindo, ainda, todo o esforço, coragem, confiança e oração à comunidade diocesana, neste momento especialmente doloroso”, conclui o comunicado.

De acordo com a página da internet da Diocese de Viana do Castelo, o padre André Filipe da Costa Gonçalves era pároco nas Paróquias do Divino Salvador de Cambeses, Santa Maria de Abedim, Nossa Senhora das Neves de Bela, São João Baptista de Longos Vales, São João Baptista de Portela e São Miguel de Sago, na região de Monção, e assistente dos Convívios Fraternos.

Já está terça-feira, o bispo de Viana do Castelo disse aos jornalistas que tomou conhecimento do caso com “dor” e “perplexidade”.

“[O sacerdote] assumiu imediatamente o problema e ele próprio decidiu afastar-se de todas as funções. Espero que, neste momento, já esteja fora das paróquias”, indicou D. João Lavrador, falando à margem da sessão de apresentação da mensagem do Papa para o Dia das Comunicações Sociais, que decorreu no Seminário de Santarém

O responsável adiantou, ainda, que a diocese do Alto Minho colocou à disposição da vítima “todos os meios para ajudar”, manifestando a sua intenção de enviar uma “carta aos paroquianos, onde o sacerdote serviu, apelando à compreensão, pedindo desculpa e perdão”.

O bispo de Viana do Castelo assinala que a resposta ao caso foi dada “logo que veio a notícia”, tendo sido comunicado às autoridades canónicas e ao Ministério Público.

A 27 de junho de 2022, o Vaticano disponibilizou, online, uma versão atualizada do “vade-mécum” lançado dois anos antes, para ajudar os bispos e responsáveis de institutos religiosos no tratamento de denúncias de abusos sexuais de menores.

documento preparado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF) surgiu depois dos pedidos feitos durante a cimeira para a proteção de menores, que o Papa promoveu de 21 a 24 de fevereiro de 2019, no Vaticano.

PR/OC

Notícia atualizada às 15h30 de 24.01.2023, com declarações do bispo de Viana do Castelo

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