Organização católica distribuiu 9 mil toneladas de ajuda, em duas semanas

Lisboa, 08 jul 2026 (Ecclesia) – A Cáritas apelou hoje à manutenção urgente da ajuda humanitária na Venezuela após os sismos que devastaram o país, há duas semanas, e deixaram milhares de famílias a viver nas ruas.
“Isto vai demorar muito tempo, não é algo que acabe hoje e é por isso que continuamos a insistir que a ajuda não pode parar”, alertou a diretora-executiva da organização católica, Janeth Márquez, numa intervenção divulgada pela rede internacional da Cáritas.
A responsável frisou que a mobilização das agências entrou numa segunda fase, focada num plano de reconstrução assente num modelo de solidariedade prolongado.
“Passámos a noite na rua porque não podíamos voltar para casa, havia uma pessoa soterrada ao nosso lado e não podíamos fazer nada”, relatou Yahaira Azuaje, residente num dos bairros litorais mais afetados em La Guaira.
O presidente da Cáritas Venezuelana, D. José Luis Azuaje, tem percorrido as áreas de catástrofe para acompanhar as populações que ficaram subitamente “sem teto e sem esperança”.
“Saber que nós, enquanto povo venezuelano, nos sabemos levantar com um sentido de unidade é o que nos enche de esperança a todo o momento”, confessou.
A organização ativou 35 centros diocesanos e mobilizou milhares de voluntários que já distribuíram nove mil toneladas de mantimentos, medicamentos e água potável aos sobreviventes.
A devastação agravou o risco de subnutrição infantil e forçou a Igreja local a reabilitar poços nas paróquias e a transformar residências sacerdotais em bancos de medicamentos.
Os abalos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a nação sul-americana no dia 24 de junho e provocaram um total de 3685 mortos confirmados pelas autoridades, além de milhares de feridos e desaparecidos.
O balanço provisório do desastre contabiliza a morte de cem cidadãos portugueses e lusodescendentes.
OC
