Lisandra Rodrigues é terapeuta da fala, graduada em Economia Social e Solidária, foi dirigente nacional da Juventude Operária Católica e hoje encontra no construir comunidade o espaço para a inclusão, para o desenvolvimento, a educação não formal, a cidadania, para o contar histórias que ajudam a crescer e a pertencer

Lisboa, 08 jul 2026 (Ecclesia) – Lisandra Rodrigues, terapeuta da fala e graduada em Economia Social e Solidária, disse que as relações humanas de entreajuda solidária devem ser encaradas como “lucro” e que essa economia marcada pela “informalidade” permite um desenvolvimento comunitário considerável.
“Todas essas formas de economia solidária são uma riqueza. E por isso é que todas essas dinâmicas que não estão tão visíveis, que são as dinâmicas de bairro, que são as dinâmicas da aldeia, que são as dinâmicas mais antigas mas também as dinâmicas novas que surgem por necessidade, tudo isso é muito mais valioso do que aquilo que possa parecer”, explica à Agência ECCLESIA.
Lisandra Rodrigues reconhece na “informalidade” um “poder enorme” com consequências na forma como se vive em sociedade e as pessoas se desenvolvem.
“Há muitas pessoas que nem sequer conseguem entrar na formalidade dos mercados ou da Euribor, mas conseguem criar dinâmicas económicas que lhes permitam um desenvolvimento enquanto pessoas e enquanto comunidade. Se nós tivermos a oportunidade de pensar sobre isso, vamos perceber que grande parte da nossa vida está cheia destes exemplos, mas como não o encaramos como lucro, esquecemos a sua riqueza”, explica.
O crescimento em comunidade e a importância do grupo marcou o amadurecimento de Lisandra Rodrigues, que durante três anos foi presidente da Juventude Operária Católica (JOC).
“A minha ética profissional, com as pessoas que beneficiam do meu trabalho, veio muito da Universidade, mas a ética com os meus colegas de trabalho veio da JOC”, sublinha.
A terapeuta reconhece a possibilidade de “parar, refletir e partilhar em pequena comunidade”, tendo a oportunidade de “crescer como pessoa”.
“É este espaço para crescer – que é o grande objetivo da JOC – que a tua voz seja ouvida, que haja um sítio onde tu te dás a conhecer e ouves os outros, incluís os outros. Foi aqui que eu descobri o grande sentido da minha fé; não que ela não existisse antes, pelo contrário, mas é aqui que eu de facto percebo como é que eu a posso alimentar, como é que ela pode ganhar um sentido novo, como é que eu posso dizer que sou uma pessoa de fé. E isso acontece muito através daquilo que a JOC me permite, através desse método, em particular, da revisão de vida – Ver, julgar e agir”, assinala.
Lisandra Rodrigues reconhece que a “inclusão”, o “desenvolvimento comunitário”, a “educação não formal” e a cidadania são “bandeiras” no seu trabalho e na forma como entende o seu investimento pessoal e profissional nas crianças e adultos que acompanha.
“Sou muito feliz a trabalhar na escola. Para mim, quando era criança, foi um mundo que se abriu”, conta valorizando também nos métodos de aprendizagem a importância das historias contadas.
“As histórias contadas são muito importantes no desenvolvimento das crianças, dão ferramentas, cimentam a compreensão e a partilha, dão sentido de pertença também porque quando a escutamos estamos a pertencer a alguma coisa – a uma referência, a uma memória – e cria relação com quem nos conta a história”, traduz.
“Agostinho da Silva dizia que «Quando morre uma pessoa, devíamos dizer que morre um poema». Deveríamos dizer também que morre uma história”, finaliza a terapeuta.
A conversa com Lisandra Rodrigues pode ser acompanhada no programa ECCLESIA, emitido na Antena 1, pouco depois da meia-noite, e disponibilizado no podcast «Alarga a tua tenda».
LS
