Nigéria: Bispos católicos apelam ao fim da violência após massacres em Borgu e Ukum

«Um ataque a qualquer local de culto é um ataque à nossa humanidade coletiva», refere nota da conferência episcopal, em solidariedade com as vítimas muçulmanas

Foto: Fundação AIS

Lisboa, 02 set 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal da Nigéria lançou um apelo veemente à paz e à intervenção das autoridades, na sequência dos recentes massacres e sequestros que vitimaram dezenas de pessoas nas regiões de Borgu e Ukum.

“As lágrimas das famílias enlutadas no Níger, em Benue e em todas as zonas geopolíticas da Nigéria devem preocupar-vos o suficiente para que façam tudo o que for possível para pôr fim a esta carnificina na nossa terra”, sustentam os responsáveis católicos.

No Estado do Níger (Borgu), suspeitos de militância jihadista raptaram mais de 60 fiéis numa mesquita; no Estado de Benue (Ukum), um ataque atribuído a grupos armados de pastores da etnia fulani resultou no homicídio de 47 cidadãos e em 17 feridos graves, informa a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.

Os bispos católicos manifestaram a sua “firme solidariedade” para com a comunidade islâmica, sublinhando que, no caso de Borgu, tanto os agressores como as vítimas eram muçulmanos.

“Um ataque a qualquer local de culto é um ataque à nossa humanidade coletiva”, assinala a declaração assinada por D. Matthew Man-Oso Ndagoso, arcebispo de Kaduna e presidente do episcopado nigeriano.

Os bispos católicos exortam o Governo a implementar “medidas de segurança proativas e baseadas em informações de inteligência” para neutralizar os focos de criminalidade e travar a impunidade, levando os autores à justiça.

O documento dirige-se também diretamente aos responsáveis pelos ataques – “bandidos, terroristas, sequestradores e aos seus patrocinadores” –, exigindo o arrependimento, o fim do derramamento de sangue e o respeito pela santidade da vida.

“A vida humana pertence apenas a Deus, e nenhuma causa justifica esta crueldade. Não se pode construir um futuro sobre as lágrimas de pessoas inocentes”, adverte a nota dos bispos, apelando a que deponham as armas “antes que o julgamento divino” os alcance.

A Nigéria enfrenta um clima prolongado de instabilidade, marcado por raptos para resgate, violência extremista no norte e conflitos por pastagens no chamado «Cinturão Médio» entre pastores nómadas e agricultores sedentários.

A Fundação AIS colabora estreitamente com a Igreja Católica local para apoiar os milhares de deslocados internos, tendo recentemente financiado a reconstrução da aldeia de Adama Dutse, destruída por ataques armados, o que permitiu o regresso da população às suas terras.

OC

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