José Carlos Fonseca disse a Francisco que «há expectativas muito grandes» sobre uma possível visita do Papa ao país

Foto Lusa, Audiência do Papa Francisco com o presidente da República de Cabo Verde

Cidade do Vaticano, 16 nov 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco recebeu hoje em audiência o presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, no Vaticano, seguindo-se um encontro com o secretário de Estado, cardeal Parolin, informou a Sala de Imprensa da Santa Sé em comunicado.

“Durante os colóquios, que decorreram num ambiente cordial, foram evocadas as boas relações bilaterais, reforçadas pelo Acordo entre a Santa Sé e a República de Cabo Verde, que entrou em vigor em 3 de Abril de 2014. Foi também manifestada a satisfação pelos passos positivos recentemente empreendidos para a implementação de parte do mencionado Acordo, auspiciando a sua plena atuação num futuro próximo”, refere o comunicado.

A Sala de Imprensa indica também que o Papa e o presidente de Cabo Verde falaram da importância da educação moral e religiosa nas escolas públicas do País para a promoção dos valores da família e da sociedade” e do andamento do “processo de beatificação do escravo Manuel, de origem cabo-verdiana”.

Em declarações à Rádio Vaticano, José Carlos Fonseca referiu o ambiente “muito informal e cordial” do encontro, que durou cerca de 40 minutos.

“Falei-lhe de Cabo Verde, o país que somos, da importância da comunidade católica em Cabo Verde, do que representa a Igreja Católica e da importância que teria uma visita do Papa Francisco a Cabo Verde”, afirmou.

“Há expectativas muito altas a esse respeito”, acrescentou o presidente de Cabo Verde.

José Carlos Fonseca encontrou-se com o Papa Francisco pela segunda-feira, tendo decorrido o primeiro encontro em 2013.

Para além do processo de canonização do escravo Manuel e da aplicação da concordata, a conversa entre o Papa e o presidente de Cabo Verde passou pelos temas do “terrorismo, as emaças à paz no mundo, a situação na África Ocidental e a política criminal”, adiantou José Carlos Fonseca.

“Fiquei muito agradado por perceber que tínhamos posições muito convergentes”, acrescentou o presidente de Cabo Verde.

Em 2013, no dia 10 de junho, foi assinada a Concordata entre a Santa Sé e o Estado de Cabo Verde, regulando as relações entre os dois estados e a presença da Igreja Católica nas dioceses cabo-verdianas, nos diferentes setores da sociedade.

Com a publicação da Lei de Liberdade Religiosa de Cabo Verde, de 16 de maio de 2014, o país regulamentou a presença das várias confissões religiosas nos vários setores da sociedade, com por exemplo nas escolas, tendo a Igreja Católica iniciado a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica nas escolas públicas neste ano letivo.

Em 1956, Amílcar Cabral iniciou o processo para a independência de Cabo Verde ao criar o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

A 19 de Dezembro de 1974 foi assinado um acordo entre o PAIGC e Portugal e iniciou funções um  governo de transição em Cabo Verde, que preparou as eleições para uma Assembleia Nacional Popular.

A 5 de julho de 1975 foi proclamada a  independência da República de Cabo Verde.

Cerca de meio milhão de cabo-verdianos habitam 9 das 10 ilhas do arquipélago e um milhão integra as comunidades da diáspora, sendo a maior a que está na América do Norte, que começou a emigrar no século XIX, e depois a que está em Portugal, onde a chegar na década de 70 do século XX.

PR

Cabo Verde: Um país de esperanças

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