Cabo Verde: Um país de esperanças

Está em curso um ano escolar «histórico» nas escolas do arquipélago: há uma disciplina nova no país, onde o desafio do turismo e da reorganização do trabalho é condição para a melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos.

A reportagem da Agência ECCLESIA na Ilha de Santiago, divulgada no encerramento do Mês Missionário Extraordinário, passou pelo terror do Tarrafal e conheceu um rosto que dá esperança aos cabo-verdianos há 65 anos: o padre Campos. 

A História começa no dia 4 de outubro de 1954. Foi nesse dia que o padre Campos chegou a Cabo Verde. É um missionário espiritano e, desde que o barco o levou, durante nove dias, para as Ilhas do meio do Atlântico, nunca mais quis deixar os cabo-verdianos. Aos 92 anos, sente-se bem a tratar da gente que o ensinou a andar de mota, para quem celebra sem precisar de usar óculos e a quem atende em confissão, muitas dezenas por dia.

O Padre Campos diz que a seca é uma praga. Ano após ano sem chuva, são cada vez menos os alimentos, o feijão e o milho. Uma calamidade para os humanos e também para os animais. Sem água nem ervas, “o gado morre de pé”, como recorda o padre Campos.

O padre Campos começou por ser missionário no Tarrafal. Conviveu com presos políticos, celebrou na prisão, conheceu o ambiente deste desterro.

A 19 de outubro de 1936, 150 homens partiram para a colónia prisão do Tarrafal… São os primeiros a ser deportados para trabalhos forçados por tempo indeterminado, não por terem sido condenados num qualquer julgamento, mas porque defendiam a liberdade, afirmavam-se contrários ao antigo regime

Não era um campo de extermínio, mas de morte lenta, num clima quente, ambiente árido, onde as condições de vida se ditavam por alimentação escassa e trabalhos forçados.

Este campo funcionou entre 1936 e 1974. Numa primeira fase foi destino dos presos políticos que partiam de Portugal; depois, a partir de 1961, chegavam a estas celas defensores da liberdade e da independência das ex-colónias portuguesas.

Em 1956, Amílcar Cabral iniciou o processo para a independência de Cabo Verde ao criar o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

A 19 de Dezembro de 1974 foi assinado um acordo entre o PAIGC e Portugal e iniciou funções um  governo de transição em Cabo Verde, que preparou as eleições para uma Assembleia Nacional Popular.

A 5 de julho de 1975 foi proclamada a  independência da República de Cabo Verde.

Em 1991 foi instalada a democracia parlamentar no país, após as primeiras eleições multipartirias.

 

A independência inaugurou uma nova era nas relações entre a Igreja Católica e o Estado Cabo-verdiano, com um passo decisivo dado no dia 10 de junho de 2013: foi assinada a Concordata entre a Santa Sé e o Estado de Cabo Verde, regulando as relações entre os dois estados e a presença da Igreja Católica nas dioceses cabo-verdianas, nos diferentes setores da sociedade.

Na Lei de Liberdade Religiosa de Cabo Verde, de 16 de maio de 2014, indica-se que as “escolas e comunidades e organizações religiosas reconhecidas” podem requerer o ensino da respetiva Educação Moral e Religiosa, de forma “opcional e não alternativa”.

As duas dioceses de Cabo Verde, Mindelo e Santiago, iniciam no ano letivo de 2019/2020, em 13 escolas dos vários distritos, a disciplina de EMRC no 1º, 5º e 9º ano, para além de a continuar a oferecer nas sete escolas católicas do país.

A Comissão para a Implementação da Disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica em Cabo Verde reuniu o primeiro grupo de professores da disciplina para um encontro de formação.

O Secretariado Nacional da Educação Cristã, da Conferência Episcopal Portuguesa, colaborou com a formação para professores de EMRC em Cabo Verde, durante uma semana.

Os desafios que emergem do crescimento do turismo;

A urgência de reorganizar o trabalho;

A consciência de assumir novos índices de produtividade;

E sobretudo…

Os rostos otimistas dos cabo-verdianos,
apesar das fragilidades do país,

A alegria do quotidiano,
diante da aridez das paisagens,

Os horizontes largos,
mesmo que o percurso da sua história seja recente,

faz de Cabo Verde um país cheio de esperanças…

Um país que parece “estar de esperanças!” 

Reportagem e edição: Paulo Rocha
Fotografias: Paulo Rocha e Sérgio Martins

Reportagem com o apoio do
Secretariado Nacional da Educação Cristã

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