«Conversão contínua» foi expressão utilizada no discurso entregue aos participantes no capítulo geral e nas Assembleias gerais das Consagradas e leigos de Regnum Christi

Cidade do Vaticano, 29 fev 2020 (Ecclesia) – O Papa Francisco pediu hoje aos participantes no capítulo geral dos Legionários de Cristo e nas Assembleias gerais das Consagradas e leigos de Regnum Christi uma continuação do “caminho de renovação”.

“O caminho da renovação não terminou: deve continuar porque a mudança de mentalidade nos indivíduos e numa instituição requer muito tempo de assimilação”, ou seja, uma “conversão contínua, escreveu o Papa numa mensagem divulgada pela sala de imprensa do Vaticano, tendo sido entregue aos participantes do encontro, uma vez que o Papa Francisco, por estar recolhido, não terá recebido em audiência os representantes dos Legionários de Cristo e de Regnum Christi, tal como inicialmente previsto.

O comportamento delituoso do padre Marcial Maciel Degollado, fundador dos Legionários de Cristo, produziu uma forte crise, recordou Francisco e voltar ao passado “seria perigoso e sem sentido”.

“Na verdade, por um lado não se pode negar que ele foi o fundador «histórico» de toda a realidade que vocês representam, mas por outro vocês não podem considerá-lo um exemplo de santidade a ser imitado. Ele tornou-se um ponto de referência, através de uma ilusão que ele tinha conseguido criar com sua vida dupla. Além disso, o seu longo governo personalizado tinha, em certa medida, poluído o carisma que o Espírito tinha originalmente dado à Igreja; e isto refletia-se nas normas, bem como na prática de governo e da obediência e no modo de vida”, afirmou.

O Papa Bento XVI afastou o padre Maciel das suas funções sacerdotais, e indicou-lhe a oração e penitência, depois de acusações de abusos sexuais contra seminaristas, tendo o Vaticano, em 2010, referido o comportamento do fundador dos Legionários de Cristo como “imoral” e desprovido de “autêntico sentido de religião ”.

Perante as “novas Constituições e os novos Estatutos, o Papa sublinhou a sua “novidade” uma vez que refletem “um novo espírito e uma nova visão da vida religiosa coerentes com o Concílio Vaticano II e com as orientações da Santa Sé”, sendo o resultado de “três anos de trabalho, nos quais todas as suas comunidades estiveram envolvidas e que levaram a uma mudança de mentalidade”.

“Foi um evento que trouxe uma verdadeira conversão do coração e da mente. Isto foi possível porque vocês foram dóceis à ajuda e apoio que a Igreja lhes ofereceu, tendo percebido a real necessidade de uma renovação que os fizessem sair da auto-referencialidade em que se tinham fechado”, indicou.

O Papa Francisco reconheceu o caminho de “verdadeiro discernimento” que foi encetado, com vista a “com paciência e disponibilidade”, “superar as tensões”, “mudar de mentalidade, porque exigia uma nova visão nas relações mútuas entre as diferentes realidades que compõem Regnum Christi”.

A Federação Regnum Christi, agora criada, compreende o Instituto Religioso da Legião de Cristo, a Sociedade de Vida Apostólica das Consagradas de Regnum Christi e a Sociedade de Vida Apostólica dos Leigos Consagrados de Regnum Christi, à qual se agregam muitos leigos, que pertencem a uma “família espiritual”.

A mudança “deve continuar em todos os membros da Federação”, sublinha o Papa, afirmando que “voltar ao passado seria perigoso e sem sentido”.

Os governos individuais das três realidades federadas “são chamados a seguir este caminho com perseverança e paciência, tanto em relação ao seu próprio Instituto religioso ou Sociedade de Vida Apostólica, como em relação à Federação e aos leigos a ela associados”.

Francisco pediu aos “três governos”, uma “visão coerente” e um espírito de “renovação”, mandatados agora para prosseguirem caminhos na linha “traçada e aprovada” pela Igreja.

LS

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