Programas da Ecclesia na Antena 1 convidam a percurso quaresmal feito com cinco convidados

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Lisboa, 29 fev 2020 (Ecclesia) – Os cinco sentidos humanos, visão, olfato, paladar, tato e audição, vão orientar o percurso de Quaresma, proposto a cada noite no programa de rádio da Ecclesia, emitido na Antena 1, através da reflexão de diferentes convidados.

O olfato vai ser desenvolvido pelo padre dehoniano António Pedro Monteiro, capelão hospitalar na Maternidade Alfredo da Costa e no Hospital de Santa Marta, em Lisboa, e é com ele que este percurso é iniciado, esta segunda-feira, dia 2.

“Ao falar de Quaresma falamos de um período de restabelecimento de saúde: é um período para arejar a casa, permitirmos um fluxo de ar, deixarmos os cheiros do Inverno, somos convidados a respirar melhor”, traduz o padre dehoniano.

A Quaresma é um período de 40 dias (com exceção dos domingos) de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário dos cristãos, este ano celebrada a 12 de abril; este caminho teve início na quarta-feira, dia 26, com uma celebração de imposição de cinzas.

Se a cinza é sinal da “destruição máxima, não permite perceber o que se destruiu, é tudo igual e não tem cheiro”, é a partir dela que se caminha para os “cheiros da Primavera”, onde acontece a Páscoa.

“Simbolicamente não há nada na tua vida que não se possa erguer ou ressuscitar, é isso que este período indica. Assim é recordado a crentes, mas as estações do ano também o recordam a não crentes”, reconhece o padre dehoniano.

Nesta mudança de estação e início da Primavera, o cheiro a terra tem “honras de palco”, recorda o capelão hospitalar, porque é da terra que vão surgir as flores, e o odor a terra molhada convida “à promessa e à humildade”.

“O cheiro a terra molhada mexe com memórias” e as recordações de odores podem ser caminhos trilhados: na terra suja nascem as flores, “é lugar de vida, onde a vida não é devorada”.

Lembra o padre dehoniano que, a respiração é um fluxo: “A sua etimologia – «edo», do grego ‘comer’ e do «odo’, deixar cheiro”.

“Fala-se de uma apropriação porque só há odores que apenas quando os comemos e degustamos os podemos sentir, trata-se de uma dádiva, também, quando deixamos um odor.

Para que o cheiro aconteça e seja percetível falamos de um fluxo de ar, de ar que me é dado, de um cheiro que é deixado: trata-se de um ciclo vital, tal como o são as nossas relações”.

Na Quaresma, sublinha o padre António Pedro Monteiro, “há um claro convite, em especial a quem segue a vida de Jesus, a uma reconciliação com aqueles que nos são dados”.

“A Quaresma é um ótimo exercício para nos lembrar a carência que temos uns dos outros, tal como a respiração”, indica.

A segunda semana da Quaresma vai ser desenvolvida pela professora de Linguística, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, Helena Valentim, que vai refletir sobre o sentido da visão.

A terceira semana será com Francisco Martins, mais conhecido por chef Kiko, que vai ajudar, através do paladar, a percorrer a Quaresma.

O sentido do tato terá como convidada Cátia Tuna, mestre em Teologia, a preparar tese de doutoramento em História e Cultura das Religiões sobre o tema «”Não sei se canto se rezo”.

Sandra Costa Chaves, coordenadora do gabinete de Escuta, do Patriarcado de Lisboa, será a responsável por, na quinta semana da Quaresma, desenvolver o sentido da audição.

Todos os programas são emitidos de segunda a sexta-feira na Antena 1 às 22h45, ficando posteriormente disponíveis no portal da Agência ECCLESIA.

LS

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