Exortação apostólica que resulta do Sínodo especial de 2019 vai ser apresentada a 12 de fevereiro

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 07 fev 2020 (Ecclesia) – O Vaticano anunciou hoje que a exortação apostólica do Papa Francisco que resulta do Sínodo especial de 2019 sobre a Amazónia vai ser publicada a 12 de fevereiro.

O documento tem como título “Querida Amazónia” e é apresentado como “fruto da assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a região pan-amazónica”, celebrada com o tema ‘Amazónia, novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, de 6 a 27 de outubro de 2019.

O texto vai ser apresentado pelos cardeais Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, e Michael Czerny, secretário especial do Sínodo de 2019.

A sala de imprensa da Santa Sé vai acolher ainda vários especialistas, como o jesuíta Adelson Araújo dos Santos, professor de Teologia Espiritual; a irmã Augusta de Oliveira, responsável geral das Irmãs de Maria Reparadora; e o cientista brasileiro Carlos Nobre, um dos autores do IV Relatório de Avaliação do IPCC, organismo que, em 2007, foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz.

A 27 de outubro de 2019, na Missa conclusiva do Sínodo Especial da Amazónia, o Papa disse que a Igreja Católica tem de ouvir o “grito dos pobres” e deixou críticas a quem se julga “superior” a eles, perante Deus.

“Quantas vezes, mesmo na Igreja, as vozes dos pobres não são escutadas, acabando talvez vilipendiadas ou silenciadas, porque incómodas. Rezemos, pedindo a graça de saber escutar o grito dos pobres: é o grito de esperança da Igreja”, declarou.

Após três semanas de trabalhos, acompanhadas por críticas de diversos setores, no interior da Igreja Católica, Francisco questionou quem “levanta muros” perante os excluídos e os necessitados, “para aumentar as distâncias, tornando os outros ainda mais descartados”.

O documento final do Sínodo 2019 alertava para a destruição “dramática” da Amazónia, enunciando “pecados ecológicos” e apresentando a Igreja Católica como “aliada” na defesa da vida e da terra dos povos amazónicos.

O texto admite a ordenação sacerdotal de diáconos casados, tendo em vista a celebração dominical da Eucaristia nas regiões “mais remotas” da Amazónia.

O ponto 111, aprovado com 41 votos contra (o número mais alto nos 120 pontos do documento) e 128 a favor, propõe a “ordenação sacerdotal de homens idóneos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconado permanente fecundo e recebam uma formação adequada para o presbiterado”.

O sacerdócio está reservado, na Igreja Latina (que engloba a maioria das comunidades católicas no mundo, como em Portugal), a homens solteiros; alguns ritos próprios, em comunhão com Roma, admitem a ordenação de homens casados como padres.

Os participantes no primeiro Sínodo especial para a Amazónia pediram que se permita a ordenação de homens com “família legitimamente constituída e estável”, para “sustentar a vida da comunidade cristã através da pregação da Palavra e a celebração dos Sacramentos nas zonas mais remotas da região amazónica”.

“A este respeito, alguns pronunciaram-se em favor de uma abordagem universal do tema”, acrescenta o documento final.

O Concílio Vaticano II (1962-1965) restaurou o diaconado permanente, a que podem aceder homens casados (depois de terem completado 35 anos de idade), o que não acontece com o sacerdócio; o diaconado exercido por candidatos ao sacerdócio só é concedido a homens solteiros.

O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos, a que se juntam peritos e outros convidados, com a tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja.

A região pan-amazónica tem uma extensão de 7,8 milhões de km2, incluindo áreas do Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa; dos seus cerca de 33 milhões de habitantes, 3 milhões são indígenas pertencentes a 390 grupos ou povos.

OC

O documento final do primeiro Sínodo especial para a Amazónia, dividido em 120 pontos, tem cinco capítulos:

I – Amazónia, da escuta à conversão integral.

II – Novos caminhos de conversão pastoral.

III – Novos caminhos de conversão cultural.

IV – Novos caminhos de conversão ecológica.

V – Novos caminhos de conversão sinodal.

 

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