Vaticano: Papa denuncia mecanismos que criam dependência tecnológica

«Não preciso do telemóvel se o cérebro funciona», alerta Leão XIV, num encontro com crianças

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 22 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa alertou hoje, no Vaticano, para a dependência digital das novas gerações, apelando ao estabelecimento de limites diários na utilização de ecrãs.

“É [preciso] estar atentos ao mecanismo, uma espécie de dependência que, de propósito, é introduzida nos programas, nas aplicações que existem no telemóvel. Eles procuram tornar-nos dependentes dessa tecnologia”, denunciou o pontífice, referindo-se aos programas e aplicações desenvolvidos com o propósito intencional de reter a atenção dos utilizadores.

A fixação de fronteiras horárias em ambiente familiar constitui uma urgência, defendeu Leão XIV, sugerindo a recusa de olhar para os telefones “a partir de certa hora”.

O Papa rejeitou a transformação da humanidade em “tecno-robôs”, exigindo o resgate do contacto interpessoal e da partilha de momentos de lazer sem a interferência das máquinas.

“É muito importante cultivar as amizades, encontrarmo-nos, brincarmos juntos, talvez até estudarmos juntos como pessoas, não como computadores, não como máquinas”, precisou.

A submissão cega aos equipamentos informáticos foi ilustrada com as falhas dos sistemas de navegação automóvel, momento em que o pontífice recordou ter ficado bloqueado em viagens por confiar exclusivamente no GPS.

Foto: Vatican Media

“É muito melhor aprendermos nós próprios a pensar, a ter a capacidade crítica de saber para onde vamos na vida, nas viagens, seja o que for. Estudar bem, usar a capacidade que Deus nos deu! Não preciso do telemóvel se o cérebro funciona”, exclamou Leão XIV, sublinhando a necessidade de preservar a capacidade crítica e a autonomia de pensamento.

O encontro desta manhã juntou as crianças e os jovens que participam nas dinâmicas da iniciativa ‘Acampamento de Verão’, para os filhos de funcionários do Estado da Cidade do Vaticano e da Santa Sé.

Durante a audiência, o pontífice foi nomeado “chefe escuteiro” pelos participantes, recebendo um kit de explorador, antes de terminar a sessão com uma oração conjunta.

OC

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