Tribunal analisa eventuais crimes relacionados com venda de edifício em Londres

Cidade do Vaticano, 27 jul 2021 (Ecclesia) – Uma sala especial preparada no Vaticano recebeu hoje o arranque do julgamento que envolve dez pessoas, entre elas o cardeal Angelo Becciu, por crimes relacionados com a venda de um edifício em Londres.

O antigo substituto da Secretaria de Estado do Vaticano, cargo que ocupou entre 2011 e 2018, é acusado de peculato, abuso de poder e suborno, o que tem vindo a negar.

Além das dez pessoas envolvidas, o Tribunal do Vaticano ordenou ainda a citação para julgamento de quatro empresas.

A sessão inaugural demorou sete horas, envolvendo alegadas práticas de crimes de abuso de poder, extorsão, branqueamento de capitais, fraude, falsa escritura pública e privada, violação do sigilo do cargo e peculato.

O Vaticano informou que a acusação tem cerca de 500 páginas, fruto de dois anos de investigação.

As investigações, também realizadas em vários outros países (Emirados Árabes Unidos, Grã-Bretanha, Luxemburgo, Eslovénia “ uma vasta rede de relacionamentos com operadores do mercado financeiro que gerou perdas consideráveis para as finanças do Vaticano”, refere o documento.

Além do cardeal Becciu, estão envolvidos no processo os antigos presidente e diretor da Autoridade para a Informação Financeira do Vaticano e vários responsáveis da Secretaria de Estado.

A sessão inicial sobre o caso da venda do prédio da Sloane Avenue, em Londres, decorreu na presença de cerca de trinta advogados, jornalistas, agentes policiais e apenas dois dos dez acusados: monsenhor Mauro Carlino e D. Angelo Becciu.

No final da audiência, o cardeal disse que sempre foi “obediente ao Papa”, dizendo-se “sereno”.

“Estou certo de que os juízes saberão ver bem os factos e a minha grande esperança é a certeza de que reconheçam a minha inocência”, referiu, citado pelo portal ‘Vatican News’.

Esta iniciativa judicial está diretamente ligada às reformas do Papa, no trabalho de transparência e saneamento das finanças do Vaticano.

A 1 de abril, Francisco celebrou a Missa da Ceia do Senhor com o cardeal Angelo Becciu, seu antigo colaborador, que em 2020 se demitiu da Congregação para a Causa dos Santos e renunciou aos direitos ligados ao cardinalato.

OC

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