Comité Organizador Local diz que a prioridade é «concentrar esforços e recursos» no apoio às populações afetadas pela pandemia

Agência ECCLESIA/PR

Cidade do Vaticano, 20 abr 2020 (Ecclesia) – O Vaticano anunciou hoje que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que vai decorrer em Lisboa foi adiada para agosto de 2023, por causa da crise provocada pela pandemia de Covid-19.

O diretor da sala de imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, justifica a decisão com a “atual situação sanitária e as suas consequências sobre a deslocação e a aglomeração de jovens e famílias”.

A decisão foi tomada pelo Papa com o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé), abrangendo ainda o adiamento da Jornada Mundial da Família, que vai decorrer em Roma, agora no mês de junho de 2022.

Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, o Comité Organizador Local (COL) da JMJ de Lisboa justifica a mudança com “as atuais circunstâncias de saúde pública, as consequências económicas que daí advêm e, sobretudo, a necessidade de concentrar esforços e recursos no apoio aos mais fragilizados”.

O COL sublinha que acolhe esta decisão “com naturalidade e confiança, partilhando com o Santo Padre o apelo a que, no atual contexto e nos próximos tempos, o foco da atenção de todos esteja no cuidado dos mais vulneráveis, das famílias e de todos os que, pelos mais diversos motivos, sofrem com os efeitos da pandemia causada pela Covid-19”.

“O COL e as equipas de trabalho já constituídas estão entusiasmados com a perspetiva de preparar da melhor forma a JMJ em Portugal, na certeza de que o evento trará à capital portuguesa a esperança e a alegria dos jovens de todo o mundo”, acrescenta a nota oficial dos responsáveis católicos.

A 5 de abril, Domingo de Ramos, Francisco marcou encontro com os jovens para 22 de novembro, dia em que via entregar a uma delegação nacional os símbolos da JMJ.

“O meu pensamento vai para os jovens de todo o mundo que vivem, de maneira inédita, a nível diocesano, a Jornada Mundial da Juventude neste domingo. Estava prevista para hoje a passagem da Cruz, dos jovens do Panamá aos de Lisboa: este gesto tão sugestivo foi adiado para o domingo de Cristo Rei, a 22 de novembro”, disse o Papa.

A Cruz e o Ícone de Nossa Senhora, símbolos da JMJ, foram entregues pelo Papa João Paulo II aos jovens em abril de 1984 e marcaram o início de uma peregrinação da juventude de todo o mundo; antes da edição internacional de 2023, irão passar por todas as dioceses portuguesas e vários países lusófonos.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, D. Américo Aguiar disse que a preparação da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Portugal está em “hibernação” porque o “a urgência e o foco” é o combate à pandemia de Covid-19.

“A urgência e o foco é pandemia. E temos de ter consciência disso, todos. A urgência a que somos chamados como povo, como humanidade, como Igreja, como Nação, é tratarmos da questão da pandemia. Tudo o resto passou para segundo lugar. Mas não precisamos de desligar, vamos entrar em hibernação”, referiu.

A JMJ realiza-se, anualmente, a nível local (diocesano) no Domingo de Ramos (ou em data a definida por cada diocese), alternando com um encontro internacional a cada dois ou três anos, numa grande cidade.

As edições internacionais destas jornadas promovidas pela Igreja Católica são um acontecimento religioso e cultural que reúne centenas de milhares de jovens de todo o mundo, durante cerca de uma semana.

OC

Notícia atualizada às 16h40

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