Peregrinos deixaram Praça de São Pedro em clima de celebração pela vida do Papa emérito

Foto: Lusa/EPA

Octávio Carmo, enviado da Agência ECCLESIA ao Vaticano

Cidade do Vaticano, 05 jan 2023 (Ecclesia) – As cerca de 50 mil pessoas que participaram hoje no funeral de Bento XVI (1927-2022) deixaram a Praça de São Pedro com várias manifestações de homenagem e gratidão ao Papa emérito.

Um grupo de peregrinos da Alemanha mostrava um cartaz em que se lia “Obrigado, Papa Bento XVI”, sendo ainda visíveis várias bandeiras germânicas e trajes típicos da Baviera, numa celebração dos conterrâneos de Joseph Ratzinger.

A Avenida da Conciliação, que liga o Vaticano à cidade de Roma, chegou a ser tomada, durante alguns minutos, por uma banda, que ofereceu música a quantos celebravam a vida do Papa alemão, após a celebração presidida pelo seu sucessor, Francisco.

Sob fortes medidas de segurança, os peregrinos enfrentaram o frio e o nevoeiro desde as primeiras horas da manhã, para assegurar o melhor lugar possível num espaço limitado, tanto pela colocação de cadeiras para milhares de concelebrantes como pela presença, nesta época do calendário litúrgico, do presépio monumental e da árvore de Natal.

A multidão (50 mil pessoas, segundo estimativas da Gendarmaria do Vaticano) despediu-se com gritos de “Benedetto” e “Santo Subito” (Santo já), mensagem visível também numa faixa, na Praça de São Pedro.

Após a cerimónia “simples”, como tinha anunciado o Vaticano, em resposta aos pedidos do próprio Bento XVI, um grupo de italianos estendeu um cartaz com a mensagem “Papa Benedetto Magno” (Papa Bento, o grande), título de honra atribuído até hoje a três pontífices (São Leão, São Gregório e São Nicolau), que viveram entre o século V e o século IX.

Nicásio, da Sicília, teve a ideia de criar a faixa, com dois amigos italianos, e refere à Agência ECCLESIA a convicção de que “Bento XVI é grande, tanto do ponto de vista teológico, tendo escrito sobre diversos temas, com enorme alcance, como do ponto de vista humano, de enorme espiritualidade e humildade, como mostrou com o ato heroico da renúncia”.

“Estamos felizes por ver que esta opinião é partilhada por muitos fiéis”, acrescenta, considerando que o falecido Papa será, no futuro, “mais valorizado do que foi até agora”.

Bento XVI foi sepultado, por seu desejo expresso, na Cripta da Basílica de São Pedro, no túmulo que recebeu São João Paulo II, antes de o Papa polaco ser transferido para uma capela perto da ‘Pietà’ de Michelangelo, após a sua canonização.

O caixão em cedro foi selado com os selos da Prefeitura da Casa Pontifícia, do Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice e do Capítulo de São Pedro, antes de ser colocado numa urna em zinco e num terceiro caixão, em madeira.

Cerca de 200 mil pessoas passaram pela Basílica de São Pedro, entre segunda e quarta-feira, para homenagear o Papa emérito.

OC

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