Iniciativa decorre ao longo de 49 horas

Cidade do Vaticano, 18 set 2026 (Ecclesia) – A Basílica de São Pedro vai receber no próximo dia 21 a instalação artística “Sounds of Loss” (Sons da Perda), emitindo pequenos ruídos que representam mortes ocorridas em contextos de guerra.
“Durante um intervalo de 49 horas, emitir-se-ão mais de mil sons para recordar o número de vidas extintas, olhos fechados, corações que pararam de bater”, refere um comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA pelos promotores da iniciativa.
O projeto sonoro idealizado pelo cineasta alemão Philip Gröning consiste na reprodução de ruídos irregulares. como batidas, interruptores ou cliques, para evocar “cada pessoa morta” em conflito, traduzindo uma média de 22,9 fatalidades a cada hora.
O cardeal José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação, sublinhou que a iniciativa aproveita a “eloquência do silêncio” e o impacto do som para chamar a atenção sobre as tragédias ocultadas no mundo.
O responsável português elogiou a obra como uma recusa à resignação contemporânea e um forte convite para “ouvir o grito das vítimas de violência e de agressões”.
Já o presidente da Fábrica de São Pedro, cardeal Mauro Gambetti, assumiu o desafio da Basílica em oferecer um “espaço de escuta e reflexão” sobre o impacto dos combates, assinalando assim o Dia Internacional da Paz (ONU).
Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé enalteceu a capacidade disruptiva desta linguagem artística e criticou as “palavras vazias que sufocam o som da morte, apagando os rostos e as vozes” dos inocentes.
“Talvez, para acordar deste feitiço, precisemos de mergulhar neste tiquetaque silencioso, mas ensurdecedor, de um relógio que não conta os minutos, mas sim os últimos suspiros daqueles que morrem na guerra”, apontou.
O criador da instalação, Philip Gröning, adiantou que os diferentes níveis de som espelham a discrepância de solidariedade registada quando as vítimas partilham uma determinada etnia, alertando que se instalou uma terrível rotina perante as “mais de 500 vidas humanas mortas diariamente devido às guerras globais”.
A intervenção estender-se-á por 49 horas, desde o início do dia 21 de setembro no fuso horário do Kiribati até ao término da jornada na Ilha Baker, sendo igualmente adotada pela Catedral de St. John the Divine, em Nova Iorque, e pela Catedral de Verona.
OC
