França: Inteligência artificial, futuro da Europa e diálogo inter-religioso na bagagem do Papa

Vaticano apresentou programa da visita de Leão XIV

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 18 set 2026 (Ecclesia) – O Vaticano apresentou hoje o programa da primeira visita de Leão XIV à França, confirmando que o Papa vai abordar temas ligados à inteligência artificial, o futuro da Europa e o diálogo inter-religioso, entre outros.

A visita decorre entre os dias 25 e 28 de setembro, arrancando na cidade de Paris com audiências institucionais no Palácio do Eliseu e na sede internacional da UNESCO.

Matteo Bruni, diretor da sala de imprensa da Santa Sé, destacou que a viagem acontece em “tempos complexos” para a Europa, por causa da guerra, e para a humanidade, num tempo em que se “arrisca delegar tudo nas máquinas”.

A intervenção na UNESCO, adiantou, vai abordar os temas da “inteligência artificial” e das “manipulações tecnocráticas”, a que Leão XIV dedicou a sua primeira encíclica, do ambiente e das instituições internacionais.

O porta-voz do Vaticano precisou que o Papa vai falar em francês e em inglês, num programa “muito intensos” ao encontro da “história e cultura” de França, com raízes cristãs.

Bruni evocou o testemunho de dedicação da Igreja Católica aos mais pobres, como o de São Vicente de Paulo, que permitem ver a fé como “recurso numa sociedade laica”

A comitiva oficial integra D. José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação (Santa Sé).

“A mensagem do Papa, desde a primeira hora, é apelar a uma paz desarmada e desarmante, uma paz verdadeira, uma paz que seja um ponto de convergência de todos os componentes da nossa sociedade”, referiu o cardeal português aos jornalistas, esta quinta-feira, em Lisboa.

Já o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, vai estar ausente, por se encontrar na 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.

A sexta viagem internacional do pontificado inclui passagens por três cidades e um encontro privado com vítimas de abusos.

A agenda oficial abrange Paris, Lourdes e Metz, prevendo nove discursos, quatro homilias, uma saudação, uma oração do ângelus e uma do Rosário.

A agenda na capital francesa arranca na manhã de sexta-feira, 25 de setembro, com uma visita de cortesia ao presidente da República no Palácio do Eliseu e um discurso perante o corpo diplomático.

O pontífice desloca-se nessa mesma tarde à sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), antes de presidir à celebração de vésperas na Catedral de Notre-Dame.

O primeiro dia de trabalhos culmina com uma vigília de oração dedicada aos jovens no interior do ‘Stade de France’, no município de Saint-Denis.

O itinerário de sábado principia com uma deslocação ao centro de acompanhamento e integração social ‘Maison Bakhita’, onde vai ouvir o testemunho de refugiados, seguindo-se um encontro com catecúmenos no Instituto Católico de Paris.

Leão XIV despede-se da metrópole com a celebração da Eucaristia na ‘Place de la Concorde’, voando ao final da tarde para o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, onde reza na Gruta das Aparições de Massabielle.

O programa dominical centra-se no espaço de devoção mariana, com uma Missa matinal, encontros com doentes e religiosas de clausura, terminando com a tradicional procissão de velas ao cair da noite.

A cidade de Metz, terra natal de Robert Schuman, um dos “pais fundadores” da União Europeia, acolhe o último dia da viagem, para um evento inter-religioso, com a assinatura de um “apelo” conjunto, e um encontro focado nas raízes da Europa para “a paz e a unidade”, antes da Missa na Catedral de Santo Estêvão.

Matteo Bruni deixou a “porta aberta” à possibilidade de encontros bilaterais com outros chefes de Estado ou de Governo.

O lema da deslocação, ‘Para que o mundo tenha a vida’, funciona como um apelo à comunhão que encoraja a humanidade a “superar as divisões”, explicou o memorial descritivo publicado pela organização.

A identidade visual cruza as cores francesas com as vaticanas através de uma rosácea gótica, onde uma pomba exibe um “ramo de oliveira” como símbolo pacificador, detalhou o mesmo documento gráfico.

Francisco visitou Marselha, em setembro de 2024, para encerrar um encontro sobre o Mediterrâneo, mas a última visita de Estado de um Papa à França foi a de Bento XVI, em 2008, quando visitou Paris e Lourdes.

A Conferência Episcopal Francesa espera acolher perto de um milhão de fiéis.

A operação de segurança e acolhimento exige um orçamento estimado em 27 milhões de euros, suportado em grande parte por recolha de donativos e inscrições.

Leão XIV, eleito a 8 de maio de 2025, já visitou República de San Marino (22 de agosto); Espanha (06-12 de junho de 2026); Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial (13-23 de abril de 2026); Mónaco (28 de março de 2026); e a Turquia e o Líbano, com peregrinação a İznik por ocasião do 1700º aniversário do I Concílio de Niceia (27 de novembro-02 de dezembro de 2025).

Ainda em 2026, o Papa vai visitar o Uruguai, a Argentina e o Peru, de 6 a 17 de novembro, na sua primeira viagem pontifícia à América Latina, com regresso à diocese peruana de Chiclayo, onde foi bispo.

OC

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