Celebração de 2011 centra-se no tema «Água para as cidades – respostas ao desafio urbano»

Cidade do Vaticano, 22 Mar (Ecclesia) – O jornal do Vaticano a celebração do Dia Mundial da Água, que hoje se assinala, afirmando que se trata de “uma riqueza a subtrair às leis do mercado”.

Num artigo publicado na edição italiana de 21-22 de Março do «Osservatore Romano», recordam-se “900 milhões de pessoas” que não têm água potável e as 2,5 mil milhões, “cerca de metade da população dos países em vias de desenvolvimento”, que vivem em condições higiénico-sanitárias consideradas “insuficientes”.

O Dia Mundial da Água é uma iniciativa nascida em 1992, na Conferência sobre o Ambiente e o Desenvolvimento, promovida pela ONU no Rio de Janeiro.

Todos os anos morrem quase cinco milhões de pessoas, sobretudo crianças, por causa das doenças associadas ao consumo de água não potável ou a carências hídricas.

A questão tem merecido várias intervenções do actual Papa e dos responsáveis do Vaticano, destacando-se, no artigo de «L’Osservatore Romano», a mensagem para o dia da Santa Sé na Exposição internacional de Saragoça (Espanha), em 2008, sobre água e desenvolvimento sustentável.

Nesse texto, Bento XVI afirma que, “a água bem essencial e indispensável que o Senhor deu ao homem para manter e desenvolver a vida” é considerada “um bem que deve ser especialmente protegido através de claras políticas nacionais e internacionais”.

O Papa contesta “as posições daqueles que consideram e tratam a água apenas como um bem económico”, assinalando que “a sua utilização deve ser racional e solidária, fruto de uma sinergia equilibrada entre o sector público e o privado”.

Na Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2010, Bento XVI alertava para a “questão, hoje mundial, da água e ao sistema hidrológico global, cujo ciclo se reveste de primária importância para a vida na terra, mas está fortemente ameaçado na sua estabilidade pelas alterações climáticas”.

Em 2007, numa mensagem escrita por ocasião do Dia Mundial da Água, o Papa afirmava que “a água é um direito inalienável”, pedindo que todos possam ter acesso a ele, “em particular quem vive em condições de pobreza”.

No seu pontificado, Bento XVI nomeou para a Academia Pontifícia das Ciências um dos cientistas mundiais mais respeitados em matéria de hidrologia e ciências ambientais, o venezuelano Ignacio Rodriguez-Iturbe, que recebeu o Prémio Estocolmo da Água em 2002, uma espécie de “Nobel” neste campo.

Em 2009, o Vaticano marcou presença no V Fórum Mundial sobre a Água, em Istambul, com uma nota intitulada “Água, um elemento essencial para a vida”.

O documento foi preparado pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz (CPJP), defendendo o acesso universal a “uma água limpa e a um saneamento seguro”, concentrando a sua posição no reconhecimento do acesso à água como um direito humano.

O Dia Mundial da Água tem como tema, em 2011, «Água para as cidades – respostas ao desafio urbano».

OC

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